quinta-feira, 13 de julho de 2017

Equilibro e moderação, símbolos do cristianismo sadio

Outro dia lendo as Escrituras me chamou a atenção dois textos:

"Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo?" (Ec 7.16)

"Mas o fruto do Espírito é: o amor, o gozo, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fidelidade, a mansidão, o domínio próprio; contra estas coisas não há lei." (Gl 6.22,23).

Me pareceu tão claro as orientações das Escrituras para um cristianismo sadio, sem hipocrisia, fanatismo faccioso, etc,que serve só para satisfazer a vontade de alguns líderes exclusivistas, soberbos e egocêntricos. É interessante como as massas são facilmente manipuladas por palavras falaciosas e carregadas de fanatismo cego, que levam os leigos ao delírio, culminando com fervorosos "aleluias" e "glórias a Deus", quando falam dos seus usos e costumes exagerados, vejamos o que diz Paulo: 
"Se morrestes com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos sujeitais ainda a ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies (as quais coisas todas hão de perecer pelo uso), segundo os preceitos e doutrinas dos homens? As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria em culto voluntário, humildade fingida, e severidade para com o corpo, mas não têm valor algum no combate contra a satisfação da carne." (Cl 2.20-23).

Por outro lado temos os libertinos que trafegam na contra mão, ou seja, com suas distorcidas visões do cristianismo levam o povo ao caminho da profanação, não buscam a santidade e pregam um falaciosa "liberdade" que leva o povo a destruição e pecado (sensualidade, falta de moral e respeito e sem compromisso com a verdade), para estes Paulo também tem um conselho: 
"Não podeis beber do cálice do Senhor e do cálice de demônios; não podeis participar da mesa do Senhor e da mesa de demônios. Ou provocaremos a zelos o Senhor? Somos, porventura, mais fortes do que ele? Todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas são lícitas, mas nem todas as coisas edificam. Ninguém busque o proveito próprio, antes cada um o de outrem" (I Co 10. 21-24).

Nesses anos em que sirvo a Deus tenho deparado com situações que me deixam triste, nunca vi tanto "meio" de separação entre o povo de Deus como o fanatismo (usos e costumes exagerados), que só servem para cegar o verdadeiro brilho do Evangelho; quanto mais fanático, mais se acha no direito de julgar as pessoas e condená-las, conseguem dividir a comunidade cristã em duas categorias, as dos "cristãos" de primeira classe (os fanáticos) e os "cristãos" de segunda classe (os outros). Entenda, os de segunda classe, não são aqueles que por uma infelicidade pecaram contra o senhor, não senhores, mas, para eles os de segunda classe são aqueles que se recusam a viver no fanatismo exacerbado e farisaico, seguindo um monte de regras de homens, como por exemplo: se usar meia vermelha vai para o inferno, se usar gravata vermelha vai para o inferno, se usar paleto aberto atrás vai para o inferno, se as irmã colocarem presilhas nos cabelos vão para o inferno, absurdos como estes, que vem da mente de pessoas descompromissadas com a verdade, pois trocam o essencial (doutrina bíblica), por coisas superficiais (doutrinas de homens). Ensinam coisas que a bíblia não diz, usam textos isolados do contexto e forçam interpretações absurdas. Me lembro uma vez onde um velho Pastor amigo me disse "O evangelho é simples quem complica são os homens".

Com isso, analisemos alguns aspectos:

Sobre Vestimenta:

À luz da Bíblia é impossível afirmar que a mulher ou o homem não deve usar determinada vestimenta.
O homem no princípio de sua existência andava nu (Gn 2.25). As primeiras roupas que usou eram feitas de peles de animais (Gn 3.21). Subsequentemente os materiais empregados no fabrico de vestimentas eram a lã (Gn 31.19; Lv 13.47; Jó 31.20), o linho (Ex 11.31; Lv 16.4), o linho fino (Gn 41.42) e finíssimo (Lc 16.19), a seda (Ez 14.10,13; Ap 18.12), o saco de cilício (Ap 6.12), e as peles de camelo (Mt 3.4).

As peças essenciais dos trajes do homem e da mulher eram duas: Uma túnica, espécie de camisa de mangas curtas, chegando até aos joelhos (Gn 37.3; 2Sm 13.18), às vezes tecida de alto a baixo e sem costura (Jo 19.23, 24), cingida por um cinto; eram iguais para ambos os sexos, a diferenciação estava no estilo e na forma de usá-las.

Outra peça consistindo em um manto (Rt 3.15; 1Rs 11.30; At 9.39) feito de um pano de forma quadrada, guarnecido de fitas (Nm 15.38; Mt 23.5). Punha-se sobre o ombro esquerdo, passando uma das extremidades por cima ou por baixo do braço direito.

A parte inferior do baixo manto chama-se orla (Ag 2.12; Zc 8.23). As vestes as dos profetas eram de peles de ovelhas, ou de cabritos (2Rs 1.8; Zc 3.4; Hb 11.37) e também de peles de camelo (Mt 3.4).

Outra peça de roupa era às vezes usada entre a túnica e a manta, por pessoas de distinção, e oficialmente pelo sumo sacerdote (Lv 8.7; 1Sm 2.19; 18.4; 24.4; 2Sm 13.18; 1Cr 15.27; Jó 1.20). Era uma veste comprida sem mangas, apertada na cinta. Os cintos serviam para facilitar os movimentos do corpo e eram feitos de couro, linhos crus ou finos (2 Rs 1.8; Jr 13.1; Ez 16.10), muitas vezes bem elaborados com decorações artísticas (Ex 18.39; 39.29; Dn 2.5; Ap 1.13).

A espada era levada à cinta e o dinheiro também (Jz 3.16; 1Sm 25.13; Mt 10.9). Fora de casa traziam sandálias, sapato rudimentar, feitas com uma sola de madeira ou de couro (Ex 16.10) apertadas aos pés nus por meio de correias, passando pelo peito do pé e à roda dos artelhos (Gn 14.23; Is 5.27; At 12.8).

O povo comum andava com a cabeça descoberta. Às vezes traziam turbantes (Jó 29.14; Is 3.20; Ez 23.20). O véu era usado pelas mulheres em presença de pessoas estranhas (Gn 24.65; Ct 5.7) se bem que muitas vezes elas saíam com as faces descobertas (Gn 24.16; 26.8).

Os santos são sensíveis à voz do Espírito Santo e antes de usar determinadas vestes, procuram conhecer a vontade de Deus. Não é conveniente ao homem usar roupas sabidamente femininas e vice e versa.

As mulheres devem vestir-se com sabedoria visando apenas a edificação do próximo, jamais, despertar a sensualidade ou desejos lascivos. Vestes transparentes, decotes profundos, saias e blusas curtas, calças apertadas (justas) e toda a espécie de roupas que mostram ou marcam o corpo despertando a sensualidade devem ser rejeitadas. Alegar que calça comprida é roupa de homem e mulher não pode usar é o cúmulo do absurdo, pois, o corte da calça feminina é completamente diferente da masculina, portanto há calças que são para mulheres, não dá para os homens vestirem e vice versa.

Agora é preciso cuidado com os extremos, pois, o uso de vestidos e saias cobrindo os tornozelos, blusas com mangas até os pulsos e golas à altura do pescoço (o famoso uniforme evangélico), não é sinal de santidade, mas, geralmente desperta a rejeição no próximo impedindo que exalemos o bom perfume de Cristo.

O uso de roupas de "marca" ou "etiqueta" não são pecado, mas de modo geral é um canal aberto para o devorador (são caríssimas) e desperta no coração a chamada vaidade. Basicamente, quem usa uma roupa de grife o faz para que o próximo veja, isso sim não seria conveniente ao cristão. O povo de Deus não deve ser levado pela "moda", ou pelo que a "moda" dita, mas devem optar pela simplicidade (aquilo que não desperta a sensualidade), vejamos: 
"Quero também que as mulheres sejam sensatas e usem roupas decentes e simples. Que elas se enfeitem, mas não com penteados complicados, nem com jóias de ouro ou de pérolas, nem com roupas caras! (isso não é o primordial, grifo nosso) Que se enfeitem com boas ações, como devem fazer as mulheres que dizem que são dedicadas a Deus!" (isso é o primordial, grifo nosso) (1 Tm 2:9,10)

Jóias e Maquiagem

O uso de jóias e bijuterias não é errado, biblicamente falando, no entanto, é preciso que seu uso seja sensato. Os servos de Deus não devem se assemelhar à uma "perua". A ostentação, isso sim, é um pecado.

O uso de maquiagem não é condenado por Deus, no entanto, às mulheres precisam ser sensíveis ao Espírito e não optar por nada demasiadamente pesado. O equilibro se aplica também a esta área.

"Não procure ficar bonita usando enfeites, penteados exagerados, jóias ou vestidos caros." (1 Pe 3.3). Tem mulheres que se preocupam tanto com o seu exterior que esquecem do mais importante, o seu interior (fruto do Espírito), não estamos dizendo com isso e nem o Apóstolo Pedro, que a mulher não deve se arrumar, se sentir bonita, se enfeitar, mas devemos ter em mente o que Paulo disse: 
"Todas as coisas são lícitas, mas nem todas convêm; todas são lícitas, mas nem todas edificam. Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem." (1 Co 10.23,24), em outra palavras o Equilíbrio Cristão.

O fanatismo chega ao extremo, a ponto de seus "pregadores" ensinarem que as mulheres não devem: usar perfume, se arrumar, se depilar, usar salto alto, e bobeiras como essas. Por anos, nós vivenciamos um sistema machistas nas igrejas, onde tudo, ou quase tudo era pecado, para as irmãs. Era um verdadeiro absurdo, por exemplo: as irmãs não podiam usar um brinco, um anel, um broche, mas víamos homens (Pastores, ensinadores, etc) usando seus broches em paletós, seus prendedores de gravatas, as vezes de ouro, seus anéis de formatura, etc. Será que a "bíblia" desses homens eram diferentes das "bíblias" das mulheres. É lógico que não, portanto, devemos nos ater e seguir as Escrituras e tão somente as Escrituras. Não podemos cair no mesmo engodo que caíram os Fariseus, que com o nome de uma "Santidade" colocavam fardos pesados ao povo, mas nem eles queriam carregar, viviam um vida de extremismos e de aparência, mas foram condenados de forma firme por Jesus, pois, colocavam as tradições (usos e costumes) em primeiro lugar, em detrimento as Escrituras, que é a coluna da firmeza e da verdade.

Bom, com isso, espero ter contribuído para refletirmos sobre esse assunto, que para muitos, por causa da falaciosa tradição (eu aprendi assim, sempre me ensinaram assim) tem sido difícil de se libertarem.

Soli Dei gloria
Pr Pedro Pereira

o homem e sua natureza pecaminosa

O homem peca porque sua natureza é pecaminosa e suas tendências e inclinações são para o pecado (Rm 5.12; Gl 5.19-21). Estamos mortos em nosso delitos e pecados (Ef 2.1). Todos estávamos perdidos em estado de pecado, nosso destino era a morte e separação eterna de Deus (Rm 3.9,10,23). Mas, pela graça, pelo favor de Deus, sem mérito humano algum, fomos resgatados (Ef 2.5,8,9) e livres da condenação eterna (Jo 3.17-21).

Jesus, o filho de Deus, veio a esse mundo para nos resgatar da perdição e nos salvar da condenação eterna (Jo 3.16; Rm 6.23). Através da sua morte expiatória e vicária fomos perdoados e reconciliados a Deus (Ef 2.13-22)
Agora, os salvos, arrependidos e regenerados, debaixo da influencia da graça de Deus, podem vencer a carne e o pecado (Rm 6.14; 8.2,5) e ter acesso ao Reino de Deus (Jo 3.3,5).

Com esse resumo quero destacar duas verdades importantes, e desmascarar ideias heréticas que estão sendo divulgadas por ai:

Primeiro, o diabo não obriga você a pecar, não atribua seu pecado ao "poder" do diabo. Hoje, virou moda atribuir a culpa de todo o pecado cometido ao diabo e isso não é verdade. Pecamos porque nós somos de natureza pecaminosa. Paulo disse em Gl 5.19-21 que o pecado é fruto do desejo da nossa carne. O que o diabo faz é simplesmente te tentar naquilo que ele percebeu que você tem inclinação, na sua fraqueza e se não tiver sobre a influencia da graça certamente você cairá, e cairá pelo sua própria vontade de pecar, veja o que diz Tiago, o irmão de Jesus: "Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência" Tiago 1:14.
Com o advento dessas ideias erradas de que todo pecado é por causa do diabo, o homem passou a ser uma "vitima" do diabo, logo então pra que se arrepender se a culpa não é dele? Mas, as Escrituras mostram que a culpa do pecado é do homem, por isso Cristo e os apóstolos chamam os homens ao arrependimento (Mt 3.1; 4.17; At 2.37,38).

Segundo, Jesus não morreu para pagar a nossa divida com o diabo. Isso é mentira e não te apoio nas Escrituras. Jesus morreu e derramou o seu sangue para pagar a nossa divida com DEUS. Na lei de Deus quem peca deve morrer e a unica forma de cobrir pecados é o derramamento de sangue do justo pelo injusto. Jesus, o Justo e sem pecado derramou o seu sangue para nos redimir e remir, pagando o preço do pecado que era a morte e sua morte foi na cruz de forma expiatória e substituta (Hb 9.22; Rm 6.23; 5.6-11).
O diabo é um miserável e condenado e não tem poder sobre o destino humano, apenas aguarda para se jogado no inferno no dia do juízo final (Mt 25.41; I Jo 5.18). Aquilo que ele faz deve ter a permissão de Deus (Jó capitulo 1 e capitulo 2).
É isso

Sola Gratia
Pr Pedro Pereira

sábado, 1 de julho de 2017

Seja um "João" para alguém.

É loucura pensar que todos gostam de você, pensar que todos serão gratos pelo que você fez, ou ainda, que todos serão seus amigos de verdade.

Ora, o próprio filho de Deus, Jesus, foi rejeitado e sofreu ingratidão, sendo abandonado e traído por aqueles que diziam-se ser seus amigos, quanto mais nós, reles mortais.

As páginas das Escrituras são provas cabais disso, que diga Moisés, Samuel, Davi, Paulo, entre outros personagens bíblicos, que mesmo ajudando e fazendo a vontade de Deus, foram abandonados e esquecidos e traídos por muitos.

Se analisarmos o ministério de Jesus, podemos contar 12 discípulos, e desses, apenas 3 eram seus amigos mais íntimos, a saber, Pedro, Tiago e João. Mas, como em todo grupo sempre terá aquele traidor, o "judas", que se finge de amigo, esse mesmo que bate nas suas costas, mas por trás te odeia, por inveja ou ciúmes, fala mal de você e te entrega por poucas moedas (benefícios).

Fica aqui algo a destacar, perceba que o problema de Jesus não foi com os romanos, não foi com os gregos, não foi com estranhos ou os de fora do seu circulo de amizade, pois eles não se importavam e nem se incomodavam com Jesus. O problema de Jesus foi com os Judeus, seus "amigos" e irmãos. Pilatos chegou a lavar as mãos e dizer que Jesus para ele era inocente, mesmo sobre pressão dos Judeus.

Outra coisa interessante, o "Judas", ainda que de menor número, sempre faz um estrago grande, pois com sua traição traz tristeza, decepção, aflição, dor, choro, etc. Bom, por ironia do destino o "Judas" sempre se enforca sozinho.

O triste é que, além do "Judas", pode acontecer que, dentre os amigos, as vezes levado pelas circunstâncias, ou influenciado por situações diversas, o que é amigo, também trai a sua confiança, ainda que momentaneamente, mas esse como é amigo, logo, arrependido, reconhece o erro e se reconcilia, assim como Pedro fez com Jesus. Mas, tenha paciência com ele, pois assim como Marcos, que mesmo depois de abandonar Paulo, lhe foi muito útil mais tarde, assim também Pedro foi muito útil para Jesus, sendo muito amado.

Só não posso esquecer que no meio dos amigos, sempre tem aquele AMIGO, como o João... ah! esse sim nunca te abandona, nunca te deixa só, sempre está ao seu lado, esse te defende quando você não está presente. Assim, como João, esse amigo está com você até a morte. Lembra da cruz, todos haviam fugido e abandonado Jesus, mas João não, ele estava lá ao pé da cruz. O amigo, "João", vira família, só pra Ele, Jesus disse: "eis ai sua mãe", apontando Maria.

Infelizmente, são poucos os amigos "João", eles são preciosos, eles estão sempre conosco: quer seja na fama ou no esquecimento, quando você estiver por cima ou por baixo, na saúde ou na doença, nos momentos de alegria ou de tristeza. O amigo "João" sempre estará lá. Precisamos de amigos como João, o discípulo de Jesus. Eles nos fazem bem.

Seja você também um amigo "João" para alguém. Que Deus nos abençoe. Precisamos de mais amigos como João, o apóstolo.

Pr Pedro Pereira

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Pregador mirim? O que é isso?


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Observo algumas pessoas postando crianças pregando, "falando em línguas" e até "profetizando"... Bom, aqui vai a minha opinião sobre isso.

Respeito quem pensa ao contrario, mas o sábio salomão disse uma verdade: "Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu" Eclesiastes 3:1.

Criança deve ser criança, deve se portar como criança, andar como criança, falar como criança, e principalmente brincar como uma criança, Não podemos acelerar o processo de crescimento de uma criança, não podemos trona-la adulta antes do tempo certo, só porque achamos isso bonitinho ou "espiritual".

Paulo disse: "Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino" 1 Coríntios 13:11.

Paulo está nos ensinando que há tempo de ser criança e tempo de ser adulto... Criança age como criança e adulto age como adulto.

O que observo é que na maioria dos casos essa crianças "pregadoras" apenas estão imitando os adultos. Algumas apenas são influenciadas pelo meio em que vivem e geralmente percebem que se agirem assim serão aceitas e admiradas por aquele grupo que espiritualiza tudo, outras são de forma indireta forçadas a ter esse comportamento com o argumento que Deus as quer assim. Mas, infelizmente, com isso perdem uma parte da sua infância e o triste é que o tempo não volta mais.

Sabemos que toda criança gosta de imitar adultos e isso é normal dentro do seu desenvolvimento e crescimento, mas isso deve ficar no campo da brincadeira.

A coisa, as vezes, é levada tão a sério que vemos meninos menores de 10 anos de terno e gravata, com agenda feita, com compromisso para pregarem em congressos e igrejas. Meu Deus!!! O que é isso? Meninas cantoras e até "profetas" com responsabilidade de ministrarem nas igrejas, incentivadas por um publico que delira e fazem barulho de alegria ao vê-las atuando. Tudo isso com aval de líderes, porque acham bonitinho, engraçadinho ou mesmo que é "Deus" usando. Será?

Crianças que não sabem e nem entendem ainda os ensinamentos e princípios bíblicos, outras que não sabem nem onde está o livro de Oseias na bíblia, mas já estão usando os púlpitos como se fossem Ministros de Deus para ensinar e pregar as verdades do Evangelho.

Me desculpe a sinceridade, mas ao imitar os adultos perceberam que se falarem meia duzia de "línguas estranhas", algumas palavras de efeito, chavões, e dizer o que o povo adora ouvir, como, "Deus vai te abençoar"... Pronto é suficiente para a aceitação de todos.

Antes de serem líderes, pregadores, profetas, ensinadores, etc; antes de realizarem algo para o Senhor Deus, seus escolhidos tiveram que ser amadurecidos, preparados, moldados, etc. Que diga Moises, Davi, Paulo, os Apóstolos, e muitos outros.

Veja que interessante a infância de Jesus é simplesmente ignorada pelas Escrituras. Sua aparição aos 12 anos no templo aprendendo era necessário, pois a Lei impunha essa obrigação ao menino que completasse 12 anos, veja Jesus cumpriu toda a Lei, então o relato era importante. Depois disso só veremos Jesus aos 30 anos, quando completa a maioridade sacerdotal e só então começa seu ministério.

Concluo dizendo, deixa a criança ser criança. Dá uma bola, uma boneca, um brinquedo a essa criança. Deixa as coisas fluírem naturalmente. Se a tal criança tem chamada de Deus para exercer algo ou realizar algo no reino de Deus, as coisas acontecerão no tempo certo, quando estiverem maduras o suficiente. E isso significa no tempo de Deus. É isso.

Recomendo a leitura do artigo do Pr. Marcos Tuler (pedagogo, escritor, conferencista e reitor da FAECAD - Faculdade de Ciência e Tecnologia da CGADB), no site: http://prmarcostuler.blogspot.com.br/2010/01/blog-post.html

"... Cantores, pregadores e mestres mirins. Muitas crianças têm perdido a infância por conta de certos “educadores” que no intuito de realizarem nelas o que gostariam para si mesmos, podam-lhes a alegria, a imaginação, a inventividade e o divertimento. Às vezes, são pais que gostariam de ser cantores, pregadores ou professores de escola dominical, mas que por falta de vocação natural, ou até mesmo de uma chamada divina específica, projetam nos filhos, seus sonhos ou objetivos não-realizados...". Pr Marcos Tuler (extraído do site acima).

Pr Pedro Pereira

OS PERIGOS DA ADULTIZAÇÃO INFANTIL


Por: Marcos Tuler

“Tudo o que será aprendido deve ser disposto segundo a idade, para que nunca se ensine nada que não possa ser compreendido”. (Comenius – Didática Magna)


“O aprendizado depende do nível de desenvolvimento do indivíduo. Ele não pode aprender o que suas estruturas cognitivas ainda não podem absorver” (Piaget).

“Quando eu era criança falava como criança, sentia como criança, discorria como criança” (1 Co 13.11).

INTRODUÇÃO

Hoje em dia, as crianças estão se comportando como se fossem “pequenos adultos”. Cada vez mais cedo, elas assumem responsabilidades, disputam posições em determinadas atividades, buscando múltiplas competências. Desprotegidas, recebem de forma direta a influência de uma sociedade que exige seres perfeitos. 
Como se isso não fosse bastante, muitos pequenos sentem o peso das exigências de “gente grande” como a falta de dinheiro ou o problema do desemprego na família. 
Esse seminário tem por objetivo questionar a adultização da criança nos dias atuais, discutir suas principais causas e consequências, e apontar a necessidade de mobilização de toda sociedade, especialmente a cristã, a fim de resgatarmos a infância perdida de nossas crianças. O que podemos fazer como cidadãos, pais e educadores cristãos, diante desse processo de adultização da infância? Afinal, o que é infância?

I. A INFÂNCIA CONSIDERADA HISTORICAMENTE

1. A infância na Idade Média.
Até o século XVI, as crianças eram vistas como “adultos em miniatura”; símbolo da força do mal; um ser imperfeito esmagado pelo peso do pecado original, ou simplesmente um companheiro natural do adulto. 
Neste sentido, a infância era concebida apenas como um percurso para a vida adulta. Uma visão negativa, pois, nesta idéia, a criança seria um ser inacabado; sem nada específico e original, sem valor positivo. 

2. A infância resgatada nos tempos modernos.
No decorrer da história da infância aconteceram diversas transformações do pensamento social em relação á família e á própria infância. A partir do século XVI começa a surgir na sociedade o sentimento e a idéia de infância. A criança, antes relegada ao último plano, passou a conquistar seu espaço social. Desde então, surgiram várias pesquisas fortalecendo o reconhecimento cultural dos pequenos. 
Dentre os pesquisadores, Jean Jaques Rousseau (séc. XVIII) merece notoriedade. Em sua obra “Emílio”, na qual defendeu a criança como detentora de uma natureza própria que deve ser desenvolvida, assim asseverou: “A infância é, também a idade do possível. Pode-se projetar sobre ela a esperança de mudança, de transformação social e renovação moral”. E tal visão, perpetuou-se ao longo dos tempos ainda que de forma não linear.

3. A infância nos dias de hoje.

A idéia de infância ressurge fortemente com a sociedade capitalista, urbano-industrial, na medida em que muda a inserção e o papel social desempenhado pela criança na comunidade. 
No decorrer dessas transformações e devido ao amadurecimento do pensamento social, a criança passou a conquistar seu reconhecimento na sociedade. A segunda metade do século XX é considerada o período da legitimação do direito da criança. Ela deixa de ser uma “criança-adulto”, para ser um sujeito social. Todavia, é preciso destacar que junto a essas conquistas de reconhecimento dos direitos da criança e sua valorização surgiram também determinadas condições. A mesma sociedade que legitima esse ser social usa de poder para manipulá-lo e sujeitá-lo às novas correntes de pressão social. O cenário da criança hoje, devido a diversas circunstâncias, aponta para uma infância a caminho do desaparecimento. Uma fase que após anos de construção, encontra-se em processo de extinção. 

II. OS VILÕES DA INFÂNCIA

Durante muitos séculos a sociedade agiu de maneira indiferente com relação à infância. As crianças, de maneira muitas vezes sutil ou subliminar, são pressionadas a serem pequenos adultos. Imitam hábitos e costumes dos adultos e muitas vezes já nem sentem alegria pela infância, seu desejo é alcançar a maioridade. 

1. As mídias, de modo geral. Em se tratando de poder, as mídias são atualmente fortes instrumentos de influência e manipulação na educação e construção desses novos seres “adultizados”. No Brasil, as músicas que as crianças cantam, não são mais tão infantis. As maquiagens, roupas e calçados copiam o adulto como se os gostos fossem os mesmos. As danças sensuais e canções com palavras obscenas já fazem parte do repertório preferido dos pequenos. Meninas usam roupas e objetos que estimulam a sexualidade precoce, assistem aos mesmos programas de televisão e falam a mesma linguagem dos adultos. Garotinhas usam salto alto e meninos de apenas cinco anos de idade já querem se vestir como adultos e já não aceitam usar roupas que possuam qualquer desenho infantil que os faça parecer crianças. Abraçar e pegar na mão do filho é considerado motivo de vergonha. Crianças trabalham e apresentam programas de televisão.

2. Videogames e filmes. Os jogos infantis também mudaram, a diversão agora são os videogames e os filmes repletos de violência. Os brinquedos já vêm prontos, tudo é industrializado, só é preciso manusear. Campeonatos infantis é atração para os pais, que cobram dos filhos ótimos resultados de placar. E quanto a alimentação não há mais distinção entre o lanche do adulto e da criança, todos devem saborear os deliciosos "hambúrgueres" em qualquer tempo. Sem falar da literatura infantil que também está mudando. Até as ruas que antigamente eram lugar de socialização, hoje refletem a falta de relacionamento e interação entre pessoas. 

III. REAIS OBJETIVOS DA ADULTIZAÇÃO

Mas afinal, qual a razão de se negar às crianças a alegria das brincadeiras espontâneas? Por que lhes podar a criatividade de fabricarem seus próprios brinquedos? Qual o motivo da sociedade aplaudir tudo isso como se fosse algo natural?

1. Interesse econômico. O fato inegável é que há um interesse econômico por detrás desta realidade. Uma intenção que possui um objetivo: educar as crianças a serem consumidores em potencial. Educar para o consumo e para a submissão de idéias. Produzir consumidores mirins que satisfarão cada vez mais os desejos desse sistema que insiste em condicionar o verdadeiro sentido da infância ao status, dinheiro e mecanização. As crianças estão sendo pressionadas a crescerem depressa, quando na verdade deveriam respeitar seu processo de desenvolvimento, pois não pensam, não sentem nem aprendem como os adultos. Elas precisam de tempo para crescer e pressioná-las a viver como adultas só produzirão seres com dificuldades, inseguranças e conflitos no futuro. 

IV. ADULTIZAÇÃO NO ÂMBITO DA IGREJA

1. Cantores, pregadores e mestres mirins. Muitas crianças têm perdido a infância por conta de certos “educadores” que no intuito de realizarem nelas o que gostariam para si mesmos, podam-lhes a alegria, a imaginação, a inventividade e o divertimento. Às vezes, são pais que gostariam de ser cantores, pregadores ou professores de escola dominical, mas que por falta de vocação natural, ou até mesmo de uma chamada divina específica, projetam nos filhos, seus sonhos ou objetivos não-realizados. 
Quem nunca viu um menino com menos de dez anos vestido de terno e gravata, cantando, pregando ou dirigindo um culto. E na escola dominical, quantas meninas e meninos são colocados à frente de uma turma, quando na realidade, deveriam estar aprendendo em uma classe de sua faixa-etária.

V. O QUE É SER CRIANÇA? O QUE DIZ A PEDAGOGIA ATUAL?

Na verdade, o que se fala hoje a respeito da infância não condiz com a realidade das nossas crianças, nem com o que fazemos com elas. 
É preciso resgatar a verdadeira infância, na qual há um mundo de fantasia, imaginação, criatividade e brincadeiras. Aqui entra o papel do pedagogo cristão, pois como estimulador do conhecimento, poderá trazer para o espaço da escola dominical desafios e valores que conduzam seus alunos a descobrirem a verdadeira identidade da criança segundo os ensinamentos da Bíblia. 
Poderá trabalhar dentro dos estágios de desenvolvimento da criança, incentivá-la na leitura da vida e não apenas da palavra, estimulando-a a ler nas "entrelinhas" e a constituir-se como um cidadão capaz de transformar sua própria realidade. Como educador evangélico poderá também questionar junto aos educandos a postura das mídias e se posicionar como um instrumento iluminador de pensamentos e idéias. 
Aqui entra a intervenção dos pais, professores de escola dominical, pastores, e de toda a sociedade, que precisa romper com os muros do doutrinamento consumista. Devemos exigir dos setores sociais, inclusive da própria família, da igreja e dos setores de comunicação, uma educação que valorize mais o ser do que o ter. Uma censura a ser respeitada, digna do público infantil e até a criação de um código de defesa do telespectador ou leitor de mídias. É preciso acreditar numa educação de qualidade para todos, a qual prepare as crianças para conhecer, fazer, ser e conviver. 

CONCLUSÃO

A história da criança não deve retroceder a um passado de isolamento, e sim estabelecer-se como a história de um sujeito possuidor de direitos, inclusive o direito de voz e o de não ser manipulado pelos adultos. Está-nos proposto o desafio: protegeremos a infância ou continuaremos a reproduzir os interesses de um sistema que insiste em nos dominar?

Pr. Marcos Tuler é pedagogo, escritor, conferencista e reitor da FAECAD (Faculdade de Ciência e Tecnologia da CGADB).

Extraido do Blog do Pr Marcos Tuler

sábado, 15 de abril de 2017

O colarinho clerical / Terno e gravata







Voce sabia que o colarinho clerical foi criado pelo Rev. Dr. Donald McLeod, pastor presbiteriano, da Igreja da Escócia? (Conforme informação publicada pela "Church of England's Enquiry Centre" em 1894).

Normalmente, é utilizado pelas igrejas Luterana, Metodista, Nova Vida e as Episcopais. O colarinho clerical foi elaborado com a finalidade do uso eclesiástico por parte do ministro evangélico, e posteriormente copiado pela igreja católica a partir do Concílio Vaticano II, por influência dos jesuítas.

Assim como no Mundo Antigo os servos (escravos) possuíam um colar de ferro em volta do pescoço, os ministros evangélicos que utilizam o colarinho clerical estão declarando publicamente que são servos Daquele que os convocou, o Senhor e Sua Sagrada Escritura. Por essa razão o colarinho clerical é branco, porque fala da santidade do Senhor e de Sua Palavra na garganta de seu servo.

A Assembléia de Deus e outras igrejas protestantes adotaram o terno e a gravata como vestimenta do Ministro. Todos sabemos que o terno e a gravata não são roupas espirituais, da mesma forma o colarinho clerical.

Porém, são apenas roupas usadas por Ministros e que possuem um símbolo importante; por isso, são usadas em ocasiões formais e celebrações religiosas. É isso.

Pr Pedro Pereira

terça-feira, 4 de abril de 2017

Retété ou repléplé... Mas o que é isso?


"Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino". (1 Coríntios 13:11)

Uns dizem “reteté”, e outros, “repleplé”. Bom, o certo é que ninguém sabe o que significam essas expressões onomatopaicas, que inclusive eu acho que devem ter se originado, infelizmente, de uma brincadeira de péssimo gosto com as línguas estranhas, usadas para identificar pretensos "cultos pentecostais".

O termo “reteté” não consta de dicionários oficiais. Mas, já li várias tentativas de se explicar a origem dessa palavra, porém há quem diga que teve origem no italiano, ou seja, relacionado com a culinária italiana, o que significaria: “mistura”, “movimento”, “reboliço”, “festa”, “aquilo que foge da normalidade”, etc. O que sabemos é que essa expressão esdrúxula faz o maior sucesso no meio "pseudopentecostal".

Nas reuniões em que ocorre a "unção do reteté", os “hinos” são apresentados em ritmos como axé, com batuques que lembram reuniões de candomblé, e muito forró, até pelo fato de serem mais apropriadas para o tal retété. Daí pessoas rodopiam, correm de um lado para o outro, caem, riem, berram, fazem o tal "aviãozinho", etc.

O perigo disso é que muitas vezes, e em muitos lugares, não se trata apenas de uma meninice. Em muitos casos, existe, inclusive, influência maligna (cf. 1 Tm 4.1); e que é aceita e incentivada por obreiros neófitos que não estudam as Escrituras, deixando de observar a ordem do culto, que está escrito em 1 Coríntios 14. Observe:

"... Irmãos, não sejais meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento... Se, pois, toda a igreja se congregar num lugar, e todos falarem em línguas, e entrarem indoutos ou infiéis, não dirão porventura que estais loucos?... Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus... E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas. Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos... Se alguém cuida ser profeta, ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor. Mas, se alguém ignora isto, que ignore. Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem". (1 Coríntios 14: 20,23,28,32,33,37-40). É isso.

Sola Scriptura

Pr Pedro Pereira