terça-feira, 28 de junho de 2016

Meu filho pode participar da famosa "festa junina" da escola? E agora?


Sempre que chega essa época do ano (junho/julho) muitos irmãos ficam em dúvida se seus filhos devem participar das famosas "festas juninas" nas escolas. 

E agora? É pecado meu filho participar da festinha da escola? Estarei cultuando santos se participar? Estarei cometendo algum pecado participando desse tipo de festa? Na minha rua o pessoal está organizando uma festa junina, devo contribuir e estar em meio a eles?

Essas perguntas são uma constante, mas vejamos a Luz das Escrituras:

É certo que a "festa junina" é tradicionalmente usada pelos católicos (e simpatizantes) para a comemoração do nascimento de João Batista, pois segundo a tradição, ele nasceu 6 meses antes de Jesus Cristo. Nas festas juninas religiosas existe o uso de diversos elementos (fogos de artifício, bandeiras de santos, fogueira, quadrilha, comidas típicas, etc.), cada um com seu significado na festa. Não vou entrar em detalhes sobre a origem de cada elemento e nem de seus significados dentro da tradição religiosa, pois já são bem conhecidos. 

Agora, é fato também, que a tal festa junina ganhou em nosso país um "status" muito maior do que uma simples festa religiosa. Vemos diversas festas juninas sem qualquer cunho religioso, são apenas festas como outra qualquer que se aproveitam da época do ano mais fria e de outros elementos para criar uma oportunidade de diversão social. 

Exemplos claros disso são as festas juninas em escolas, em ruas, em associações de moradores, em restaurantes, em clubes que organizam festas juninas sem qualquer ligação com a tradição religiosa ou mesmo com um espaço religioso. Esse tipo de festa é apenas com cunho social ou até mesmo econômico com o objetivo de faturar.

Assim sendo, creio que devamos separar essa questão da festa junina em duas vertentes:

A primeira, são as festas juninas de cunho religioso, onde tudo é pensado focando a tradição e os seus objetivos de adoração aos santos e outros objetivos religiosos. Desse tipo de festa junina o cristão faz bem em manter distância, pois ela tem objetivo claramente idólatra, que não condiz com a fé bíblica. Todos os elementos desse tipo de festa são focados no culto idólatra e, por isso, o crente não deve participar. Na Bíblia vemos algo parecido quando Paulo orienta que os crentes não devem participar de celebrações onde os ídolos são cultuados, pois isso se enquadra no pecado de idolatria (1 Co 10. 1923).

A segunda, são as festas juninas sem qualquer cunho religioso e que, inclusive, são feitas fora de ambientes religiosos ou controlados por religiosos. Um exemplo clássico desse tipo de festa são as realizadas, por exemplo, por escolas. Não há qualquer "reza", nem "imagens sacras", nem qualquer "elemento de culto" e para "culto". Nesse sentido, qual seria o problema em se participar desse tipo de festa? Se não existe qualquer culto a elementos estranhos à Bíblia, se não há nada que configure idolatria, qual seria o pecado? Creio que nenhum! Seria o mesmo que estar em uma festa qualquer que frequentamos em outras épocas e ocasiões do ano.

Alguns podem até argumentarem que nessas festas não existe o fator religioso, mas as comidas típicas estão lá, logo, de alguma forma estamos pecando em comer esse tipo de comida que pode ter sido consagrada aos ídolos para serem usadas nessa época do ano. Bom, as Escrituras nos ensinam que toda comida em última instância vem da mão de Deus. Dentro do ambiente de culto idólatra elas podem até ser comidas sacrificadas a ídolos, fora dele são apenas comida comum, não tem nenhum poder contra o crente e nem representa qualquer símbolo de culto. Paulo disse em uma situação semelhante com relação ao consumo de carne que podia ter sido sacrificada a ídolos: 
“Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência; porque do Senhor é a terra e a sua plenitude.” (1 Co 10. 25,26). 

Outros ainda podem argumentar que essa festa é do mundo, mas me responda o que não é do mundo? A festa de aniversário, casamento, noivado, por ventura não são de origem pagã? Então? Só porque eu faço uma festa de aniversário não significa que sou pagão. O princípio é o mesmo. 

Portanto, como diz as Escrituras, tudo vem de Deus e nada é impuro para os puros, vejamos:

"Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados". (Tito 1.15).

Assim, fica claro que, biblicamente, participar de cultos idólatras é pecado. Mas, nada nos impede de participarmos de ocasiões ou festas fora do ambiente e propósito idólatra. Posso até não participar de uma festa, com base no amor, se for o caso, para não causar controvérsia e escândalo, perante um irmão mais fraco na fé, mas, só por isso. Na verdade, não havendo elemento ou propósito idólatra nada nos impede de participar, como não há qualquer pecado de nossa parte. 

Concluo, dizendo que se participarmos de uma festa que não vai ferir nenhum princípio bíblico então não há pecado nisso. Agora, se alguma dúvida persistir em seu coração, se as coisas não estiverem muito claras para você, siga essa prescrição de Paulo: “Mas aquele que tem dúvidas é condenado se comer, porque o que faz não provém de fé; e tudo o que não provém de fé é pecado.” (Rm 14.23). É isso.

Sola Scriptura
Pr Pedro Pereira

quinta-feira, 5 de maio de 2016

O CRISTÃO PODE OUVIR MÚSICA DO MUNDO?

O crente pode ouvir música do mundo? Bom, essa pergunta para ser respondida, sem preconceito, deve ser antes definido, o que é música do mundo?

Creio que a maioria das pessoas responderiam que musica do mundo é aquela que não é feita por crentes, ou aquelas musicas que não são hinos evangélicos, ou ainda aquelas que se cantam fora da igreja. Então, se essa é a definição, logo devemos responder outras perguntas: Podemos estudar fora da igreja, no mundo? Podemos comer fora da igreja, no mundo? Podemos trabalhar fora da igreja, no mundo? Podemos ter amigos fora da igreja, no mundo? Isso está "cheirando" farisaísmo, não é mesmo?

Você poderia me contestar dizendo, mas o conteúdo, a letra daquela ou dessa música é incompatível com a fé Cristã. E eu diria sim, muitas vezes isso acontece, e deve ser rejeitada,  todas as musicas carregadas de conteúdo incompatíveis com a fé cristã; mas a pergunta é, são todas as músicas criadas por pessoas fora da igreja que são incompatíveis com a fé Cristã? 

Ora, eu sei, e você também, que tudo o que é bom vem de Deus, então deixa eu exemplificar, Luiz Gonzaga, famoso cantor nordestino, tem muita música que fala das coisas do Nordeste, sem malícia ou maldade alguma, como a musica "Asa Branca". Poderíamos ainda citar, o cantor John Mayer que compôs a musica "Daughters" que tem valores muitos próximos dos cristãos. E aquelas que o cantor Roberto Carlos fez cheias de romantismo, sem malícia, mas que falam do amor, entre outras.

Perceba a letra composta por um cantor chamado Renato Russo: "... É preciso amar as pessoas; Como se não houvesse amanhã; Porque se você parar pra pensar, Na verdade não há..." Legião Urbana. Letra inteiramente compatível com a fé cristã.

Em compensação existem musicas compostas ou cantadas por cantores do mundo gospel que são recheadas de heresias e são incompatíveis com a fé cristão, Veja:

"Quem te viu passar na prova e não te ajudou, Quando ver você na benção Vai se ARREPENDER” (Vingança)... “Vão estar entre a plateia e você no palco” (Orgulho); “Vão olhar e ver Jesus brilhando em você, quem sabe no seu pensamento você vai dizer, meu Deus como vale a pena a gente ser fiel” (Barganha). Damares.

Poderia citar ainda vários outros cantores gospel que cantam músicas recheadas de heresias e incompatíveis com a fé cristã, mas o que queremos mostrar é que o que vale aqui é o princípio cristão ensinado por Paulo, veja:

"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam". (I Cor 10.23).

Se fossemos analisar conforme o texto acima, qual musica escolheríamos para cantar ou ouvir? E qual delas está mais próxima da fé cristã? A da banda legião urbana ou da cantora gospel Damares?

Amados se quisermos ser coerentes e vivermos com esse discurso de que não devemos usar nada que foi feito por um descrente, então não podemos comer em restaurantes, nem comprar um cachorro quente na esquina, se o dono não for crente, pois é tudo "do mundo", inclusive suas roupas, sapatos, óculos, carro, etc, que usamos.

Mas, se ainda dissermos que músicas do "mundo" são aquelas cujo ritmo é tipo rock, samba, hip hop, funk, aí temos outros problema, pois não existe como definir biblicamente um ritmo que seja "santo" e outro que seja "mundano".

Portanto, queridos amigos, vamos seguir os princípios cristãos ensinados nas Escrituras para nos ajudar a nortear nossa vida e prática cristã, veja o conselho de Paulo:

"Examinai tudo. Retende o bem" (I Ts 5.21).


"Todas as coisas são puras para os puros, mas nada é puro para os contaminados e infiéis; antes o seu entendimento e consciência estão contaminados" (Tito 1.15).

"Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai dele isso é que contamina o homem" (Mc 7.15).

"Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne" (Cl 2:20-23).

O importante é termos o discernimento cristão do que convém e do que não convém, aquilo que edifica e aquilo que não edifica, independente do "titulo" "gospel" ou do "mundo". É isso. ´

Sola Scriptura.
Pr Pedro Pereira 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

O VOTO DEVE SER PRATICADO NO TEMPO DA GRAÇA?

Voto é bíblico? 
Deve ser praticado no tempo da graça? 
Qual a diferença do voto e da barganha com Deus? 


Para falarmos sobre esse assunto antes precisamos entender a doutrina da graça, entendimento essencial, para a compreensão do assunto, vejamos:


A Doutrina da Graça: 

Em síntese, Graça vem do latim “Gratus”, e da palavra grega “Charis”, que significa, favor, generosidade. 

Isso fala que por iniciativa Divina, o homem é salvo e favorecido, mesmo sem merecimento algum. Ora, uma vez que o homem está inteiramente caído em seus pecados e delitos (Ef 2.1-5), não há nele (homem) qualquer merecimento que o qualifique em receber de Deus qualquer favor. Portanto, a Graça é a expressão majestosa do amor de Deus (Rm 5.12-21).

Em resumo, nada que o homem faça será suficiente para que seja merecedor de algo, nem da salvação, nem outro benefício qualquer, por isso o homem é totalmente dependente do amor e graça de Deus (Ef 2.8,9)

Tudo que somos ou que temos foi fruto da graça de Deus, isso quer dizer que quando Deus nos abençoa, não leva em conta nosso merecimento.

Dito isso, podemos agora falar sobre voto. Vejamos:

A palavra voto vem do verbo hebraico “nadar” e do substantivo “nader” que significa prometer voluntariamente, fazer ou dar alguma coisa. Em outras palavras, é uma promessa assumida voluntariamente diante de Deus, ou feita para Deus.

Dentre algumas observações, é preciso levar em conta alguns princípios bíblicos acerca do voto, no Velho Testamento (Dt 23.18,21-23; Ec 5.4,5): Primeiro, o voto não podia ser obrigatório; segundo, não podia depender de terceiros; terceiro, não podia ser precipitado (Jz 11.30,35,36,39); quarto, não podia deixar de ser cumprido; e quinto, não podia ser abominável.

Já no Novo Testamento não há nenhuma recomendação, nem ordenamento para o voto. Devemos ressaltar que o apostolo Paulo se submete ao rito de um voto, juntamente com outros judeus (At 18.18; 21.23-27). Mas, possivelmente, de forma estratégica, ele ouve o conselho de vários anciãos judaicos que o aconselharam a se submeter ao rito do voto, para que os judeus que o acusaram de ser uma pessoa que batia de frente com a lei de Moisés e que dizia aos judeus para abandonarem essas tradições judaicas, parassem com as acusações e vissem que Paulo não estava contra eles, embora estivesse levando o Evangelho a todos. Com isso Paulo fez uma concessão à circunstância, sendo essa ocasião um provável exemplo do que ele dizia: “Tornei-me judeu para os judeus, a fim de ganhar os judeus. Para os que estão debaixo da lei, tornei-me como se estivesse sujeito à lei, embora eu mesmo não esteja debaixo da lei, a fim de ganhar os que estão debaixo da lei” (I Coríntios 9.20).

Agora, sabemos que o voto foi sempre uma prática nas igrejas Assembleia de Deus, porém, mais por tradição do que por ordenamento neo testamentário. 

Portanto, como não há ordenamento, mas também não há prescrição proibitiva direta, dai podemos encontrar lugares incentivando essa prática, mas é preciso um certo cuidado para que essa prática não se confunda com a famigerada “barganha” com Deus encontrada nos ensinamentos da Teologia da Prosperidade.

Basicamente, “Barganha”, vem do latim “bargagnare” que significa troca, negócio, vender com fraude, ou em outras palavras o famoso “toma-lá-dá-cá”. Logo, esse ensinamento proposto pelos adeptos da teologia da prosperidade é um instrumento falso que alega o "direito legal" e a pratica do "determinismo". Na pratica da barganha os adeptos se tornam materialistas e acabam "servindo" a Deus por interesse próprio e sem compromisso com a espiritualidade.

No principio da barganha, eu recebo porque "eu" fiz o tal "sacrifício", "eu" cumpri ou realizei a tal "corrente ou campanha", isso significa que se "eu" dei, logo "eu" vou receber. Ora, isso chama-se "mérito próprio", que tem por base as obras que eu pratiquei, o famigerado toma-lá-dá-cá. Essa prática e ensino fere a doutrina da graça de Deus, portanto deve ser rechaçada.

A diferença crucial do voto e da barganha é que na barganha sempre o objetivo é a vantagem pessoal, mas no caso do voto o objetivo, a intenção é em agradar a Deus, reconhecer sua bondade e misericórdia, em outras palavras, seu objetivo sempre é espiritual.

Dito isso, não vejo problemas, na nova aliança, se algum crente, com propósitos espirituais em agradecer a Deus, por uma benção recebida, pela graça de Deus, desejar voluntariamente fazer um voto a Deus. Porém, vale ressaltar que o voto não é algo necessário ou primordial na vida do crente. Mas, se for feito deve se levar em consideração que o benefício, a benção que recebemos foi dada pela graça e misericórdia de Deus; e o voto deve ser sempre um ato voluntário de agradecimento e não de mérito.

O princípio divino que deve nortear cristão, sempre deve ser esse: “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (I Cor 10.31).

E fica a dica do Salmista Davi: “Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito? Tomarei o cálice da salvação, e invocarei o nome do Senhor. Pagarei os meus votos ao Senhor, agora, na presença de todo o seu povo” (Salmos 116.12-14). É isso.

Sola Gratia
Pr Pedro Pereira


sábado, 5 de março de 2016

QUEM SALVA É CRISTO, PORTANTO CALMA...

Todos cristãos verdadeiros sabem da importância do Evangelismo e do empenho missionário para que o maior número de pessoas possíveis cheguem ao conhecimento da verdade e se arrependam dos seus pecados culminando na sua conversão em direção ao Reino de Deus. 


Porém, quero destacar algumas distorções que estão acontecendo em nosso meio para uma reflexão sobre a pergunta acima.

Esses dias em um dos cultos que participei ouvi um suposto "pregador" ensinando o povo a enganar os "pecadores", isso mesmo ENGANAR pessoas com supostos prêmios para que participassem de um culto evangelístico, ou seja, ele dizia que em sua "meta" de alcançar 3 mil almas numa pregação, tal qual o apóstolo Pedro, e prometia aos "pecadores" que se participassem do "culto", logo participariam de um sorteio de uma Motocicleta (que não existia) e impulsionados pela promessa (falsa) vinham ao "culto", que devido a promessa, se encheu de pecadores, segundo esse pretenso "pregador". A conclusão, segundo ele, foi que "250" pessoas "aceitaram a Cristo" (pessoas interessadas em ganhar um prêmio). 

A pergunta é: mentir, enganar, ludibriar, mesmo que para uma suposta boa causa, é de Deus? 

Como fica a palavra de Jesus: "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira". João 8:44

Jesus disse também: "... Eu sou o caminho, e a VERDADE e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim". João 14:6 (grifo nosso).

Bom, no mínimo é preocupante a naturalidade com que o pretenso pregador falou tudo isso em pleno púlpito e que revela o pragmatismo religioso que muitos se enveredaram, onde o que mais importa são os resultados e não os princípios bíblicos.

Estou cansado de assistir em algumas igrejas que passamos o velho "truque" do aceitar Jesus. Quantos que já presenciaram um "pregador" usar de "estratégia"? Ou seja, começa com a seguinte pergunta: "quantos aqui não são evangélicos? Venham aqui que eu vou fazer UMA ORAÇÃO por vocês. Acontece que depois da suposta e ingênua oração saem dizendo que essas pessoas "aceitaram Jesus" e ainda pede para alguém pegar o nome dessas pessoas, pois agora são os mais novos convertidos da igreja. Isso é correto? Será que essas pessoas realmente se arrependeram dos seus pecados? 

Outrossim, porque nossos apelos são tão confusos? Ou seja, porque não perguntamos claramente se alguém presente que ouviu a mensagem a seguinte pergunta: tem alguém que quer SE ARREPENDER DOS SEUS PECADOS? ou SE CONVERTER DOS SEUS MAUS CAMINHOS?

As mensagens, de João Batista, de Jesus e dos seus discípulos eram muito claras, vejamos: 

"E, naqueles dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia, E dizendo:Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus". Mateus 3:1-2;

"E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis". Lucas 13:2-3;

"Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus". Mateus 4:17;

"E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo". Atos 2:38.

Será que a pergunta tão comum como "tem alguém que quer aceitar Jesus como seu senhor e Salvador?" é a mais apropriada? Será que não é confusa? Pense comigo, vivemos num pais cristão de maioria católica que tem a percepção que é de Cristo, que ama a Cristo e que já aceitou a Cristo. Nenhum católico em sã consciência dirá que não tem a Cristo ou que não aceita a Cristo como salvador. A maioria das pessoas que frequentam nossos cultos como não evangélicos são de origem católica. 

Será que o simples lenvantar das mãos, as vezes vítimas das "pegadinhas" dos pregadores, intimados e forçados por alguns, após um apelo emocionante, num clima favorável ao sentimentalismo é prova que realmente se arrependeram dos seus pecados e querem realmente seguir a Cristo como ensinam as Escrituras? Será que isso é o suficiente para chamá-los de novos irmãos na fé?

Creio que o melhor é esperar aqueles que se decidiram a Cristo mostrarem frutos de arrependimento, de renúncia, de conversão, pois Jesus mesmo disse que pelos frutos saberemos qual é a árvore. A decisão de arrependimento deve ser voluntária, após convencidos pelo poder da Palavra de Deus, ajudados pelo Espírito de Deus que gera no homem o novo nascimento. O tempo é primordial para observarmos uma conversão genuína.

Deus não precisa das "pegadinhas" e das estratégias humanas eivadas de engano e mentirinhas "santas", para salvar pessoas. Será que esses pretensos ganhadores de almas se preocupam com o Reino ou com números na sua conta de de quantas almas EU ganho?

Meus amigos, muitas dessas perguntas podem ser respondidas, com a régua dos princípios bíblicos, porém o mais importante é saber que a salvação é algo maravilhoso e Divino, não obstante termos o compromisso de levarmos esse Evangelho a toda criatura, a salvação vem de Deus, com a ajuda do Espírito Santo, o único que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo.

Resultado disso é muitas pessoas carnais dentro das nossas igrejas que não nasceram de novo, convencidas que são salvas e até incentivadas por muitos que são salvas, pelo simples fato de que um dia levantaram as mãos, num culto qualquer; isso é triste, porque não demonstram fruto de arrependimento.

Para concluir, fica aqui o registro de Lucas no livro de atos: "... E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar". Atos 2:47. É isso.

Sola Gratia.

Pr Pedro Pereira

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Conforme At 16.31, se eu crer no Senhor Jesus minha família automaticamente será salva?

"E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa" Atos 16:31

Será que esse texto é uma promessa de salvação automática da família daquele que crê em Jesus?


Sabemos que esse versículo é muito citado por muitos evangélicos que reivindicam a salvação para os seus familiares, sabemos também que essa passagem é tomada como "uma promessa" de Deus para cada crente. É muito comum ouvir em algumas igrejas alguém dizer: "Eu tenho fé que Deus vai salvar a minha família, porque a sua Palavra diz que quem crer no Senhor Jesus, serás salvo, ele e a sua casa". Queridos irmãos, será que este versículo realmente é uma promessa de Deus para todos os crentes? É isso mesmo que diz o texto?

Bom, para responder esta pergunta devemos analisar o contexto onde este texto está inserido. Como já diz o ditado: "Texto sem contexto é pretexto para heresia". 

Vejamos então, Atos 16:31 é pronunciado em um contexto onde Paulo e Silas estavam presos, pouco depois de serem açoitados. Eles haviam sido colocados na prisão, e mesmo assim oravam e cantavam hinos a Deus, quando: "... de repente sobreveio um tão grande terremoto, que os alicerces do cárcere se moveram, e logo se abriram todas as portas, e foram soltas as prisões de todos..." (At 16.26).

De acordo com a lei romana, se um guarda perdesse um prisioneiro, ele receberia a mesma punição que o governo tinha dado ao infrator, e até mesmo pena de morte. Diante do acontecido, o carcereiro entrou em estado de pânico, pensando que todos os presos tinham fugido, dai pegou a sua espada para se matar. Todavia, Paulo impediu o suicídio dele, explicando que todos os presos permaneciam na cadeia, ninguém tinha fugido. 

Depois deste episódio dramático, o carcereiro perguntou aos missionários: "Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?" (At 16.30). Então, Paulo e Silas respondem com o versículo citado: "Crê no Senhor Jesus, e serás salvo, tu e a tua casa" (At 16.31).

É importante ressaltar que, após o terremoto houve escuridão, era por volta da meia noite (V25) e o carcereiro pediu luz para poder enxergar (V29), tudo estava um verdadeiro caos pelo terremoto, ele não conseguia ver nada, inclusive se os presos haviam fugido. Nesse cenário todo, pensando que os presos tinham fugido e sabendo que seu destino era a prisão ou a morte pela Lei Romana, e ainda que sua família sofreria com o resultado daquilo, se desesperou e pegou a espada para se suicidar, mas as firmes e consoladoras palavras de Paulo lhe deu esperança, e percebendo que algo sobrenatural tinha acontecido, tirou Paulo e Silas para fora e assustado perguntou-lhes: "senhores, que é necessário que eu faça para me salvar? (At 16.30). 

Paulo e Silas em resposta, sem mesmo o conhecer, inspirados pelo Espírito Santo que estava no controle de tudo, disse em forma profética e individual, o tom profético foi especificamente para o carcereiro, naquele momento: "E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa" Atos 16:31. 

Os versículos seguintes nos mostram o cumprimento da palavra profética, confira At 16. 32-34. Entenda o contexto, Eles pregaram a Palavra de Deus a todos que estavam em sua casa, e somente depois de ouvirem a Palavra de Deus, e de todos crerem nela é que foram batizados, se alegrando em Deus.

Portanto, Atos 16:31 não ensina que a salvação é dada automaticamente a minha família depois que eu sou salvo. Também não ensina que Deus prometeu salvar os membros da nossa família, porque tão somente eu cri em Deus e recebi a salvação. Fica claro aqui que a família do carcereiro recebeu a salvação depois que eles ouviram a mensagem do evangelho, e como creram, então foram batizados (v33).

De acordo com toda a mensagem do Novo Testamento, a salvação é individual e não por tabela. Vejamos:


"A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo" (Rm 10.9).

"Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado" (Mc 16.16).

"Disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo" (At 2.38).

"Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna... Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus" (Jo 3.16,18).

"Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6.40), etc...

Uma vez entendido o contexto, percebemos que o texto não é uma promessa de Deus a respeito da salvação de nossos familiares. O pai não salva o filho e nem o filho salva o pai, a salvação é individual, para aquele que crê e segue a Cristo. Um texto isolado não pode ter força de doutrina. Uma doutrina deve estar inserida em toda a Escritura. Uma regra importante na interpretação bíblica é interpretar o histórico à luz dos livros didáticos. De um modo geral, os Evangelhos e o livro de Atos são narrativas históricas; enquanto as cartas de Paulo, Pedro, João, etc.., são textos didáticos. 

Conclusão


Para os membros da minha família serem salvos, eles devem ouvir a mensagem do evangelho, e o Espirito Santo deve iluminá-los dando nova vida espiritual. Portanto, pensar que Atos 16.31 é uma promessa de Deus para todos nós e aponta uma salvação automática para a família daquele que crê, é dizer o que o texto não diz.

Sola Scriptura
Pr Pedro Pereira

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O que estão fazendo com o Pentecostalismo Clássico?

Tenho amigos em todas as searas do evangelicalismo, amigos que são cessacionistas e amigos que são pentecostais. Mas, confesso que nesses últimos dias estou tendo dificuldades para defender o que chamo de pentecostalismo clássico, pois igrejas pentecostais, estão se neo pentecostalizando e traindo assim o genuíno movimento pentecostal. 

Não culpo meus irmãos cessacionistas por tantas críticas ao movimento pentecostal atual, pois eles não conseguem mais enxergar a diferença entre pentecostais clássicos e neo pentecostais.

Lembrando que o movimento pentecostal moderno e clássico nasceu no início do sec XX, trazidos ao Brasil pelos missionários batistas Daniel Berg e Gunnar Vingren, dando então origem as igrejas Assembleias de Deus. Também nesse mesmo período nasce no Brasil a Igreja Congregação Cristã no Brasil, fundada por Luigi Francescon, ex membro da igreja presbiteriana da Itália. Essas duas igrejas são consideradas igrejas Pentecostais Clássicas. Portanto, a origem do Pentecostalismo no Brasil tem como seus genuínos representantes as igrejas AD e CCB.

Com o passar do tempo surgem outros movimentos com características diferentes do pentecostalismo clássico, com ênfase em curas divinas e milagres, que passam então a serem chamados de movimentos deuteropentecostais ou pentecostalismo pós clássico, que tem como representantes as igrejas: Deus é Amor, Evangelho Quadrangular, Brasil para Cristo, Casa da Benção, etc.

Agora, o problema mesmo estava por vir, na década de 70 para cá surge um novo movimento, os chamados neo pentecostais. Esse movimento cria expressão na década de 90, disseminando inovações e desvios doutrinários absurdos. 

Com ênfase na teologia da prosperidade, e no uso dos meios massificados de mídia, principalmente na TV, esse movimento tem um crescimento rápido, com grande poder de influência. Porém, o que parecia ser uma vitória para o avanço do evangelicalismo, acabou sendo como um "tiro pela culatra". Da mesma rapidez que numericamente crescia, também crescia a propagação de um evangelho estranho as Escrituras. 

O Pragmatismo, o sincretismo, o misticismo, as campanhas intermináveis, o amor ao dinheiro, o afastamento das doutrinas essenciais a fé, o modelo empresarial de igrejas, resultaram na relatividade e apostasia da fé. 

Seus representantes são as famosas igrejas: IURD (Universal), IIGD (Igreja da Graça), IMPD (Igreja Mundial), Igreja Plenitude do Trono de Deus, Igreja Batista da Lagoinha, Igreja Renascer em Cristo, etc. 

Com as neo pentecostais, o culto a Deus, foi substituído por
um "culto" Show, onde os pregadores viraram animadores de auditório, os adoradores viraram astros e ídolos. Elementos estranhos a liturgia foram acrescentados, como danças, palmas, coreografias, luzes coloridas, fumaça, assovios; fora isso ainda introduziram ritos judaizantes, misticos e sincréticos, etc...

Nomenclaturas estranhas as Escrituras também foram introduzidas, como sessão descarrego, encosto, culto do empresário, culto da prosperidade, culto da restituição, antigas novenas com suas campanhas e correntes intermináveis, etc...

Elementos com finalidade mercantilistas, estranhos e condenáveis as Escrituras, como sal grosso, sabonete ungido, rosa santa, óleo de Israel, fogueira santa, trízimo, toalhinhas (suadas), oração por fotos e roupas, água ungida, consulta a ex mães de santo, cajado ungido, etc...

O pior de tudo é que nesse cenário tenebroso e apóstata, muitos "pastores" e "igrejas pentecostais clássicas" estão se dobrando e aos poucos cedendo ao tentador resultado pragmático desse novo movimento, pois seus templos são cheios ou "inchados" e a entrada de dinheiro é de grande vulto.

Voltemos ao evangelho simples e genuíno, chega de pragmatismo religioso, sincretismo religioso, misticismo e superstições. Chega de nomenclaturas antropocêntricas em nossos cultos (culto da vitoria, culto da restituição, culto do amigo, culto da prosperidade, etc), o culto é para Deus e não para nossos interesses. Chega de Shows, chega de aberrações como, cai cai, reteté, profetadas, etc. Chega de pregações de auto ajuda e voltemos as pregações de ajuda do alto, voltemos a pregar sobre o arrependimento, conversão, regeneração, santificação, amor, fidelidade, graça de Deus, consolo de Deus, Espírito Santo, a vinda de Cristo, etc. Chega de modismo e estratégias humanas, voltemos aos "solas" da igreja que foi reformada: Sola Scriptura, Sola Fide, Sola Gratia, Solo Christus, Soli Deo Glória. 

Concluo, dizendo voltemos a manifestação dos dons espirituais, com ordem e decência, conforme descrito em 1 Corintios 14. Voltemos a ser conhecidos como pentecostais, mas principalmente como igreja da Palavra e que as Escrituras tenham primazia em nosso meio.


Que o Senhor tenha misericórdia de nós.

Soli Deo Glória

Pr Pedro Pereira

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O QUE É SER CHEIO DO ESPÍRITO SANTO?

Essa é uma pergunta que ao longo dos anos como pastor ouvi de muitos irmãos, amigos e alunos em seminários. O porquê desta pergunta talvez seja, além da curiosidade bíblica, o paradigma da cultura pentecostal.

Em muitos lugares, o entendimento de alguém ser cheio do Espírito, é o fato de falar em línguas estranhas, correr ou pular na igreja, rodopiar ou "cair no espírito", etc... Mas será mesmo isso sinal de alguém estar cheio do Espírito Santo? Minha resposta de imediato é NÃO. 

Ser cheio do Espírito Santo é ter uma vida controlada e dirigida pelo espírito de Deus. O Espírito Santo é a terceira pessoa da trindade, logo Ele é Deus. Então chegamos a seguinte conclusão, se alguém é cheio do Espírito Santo, logo é cheio de Deus. E se alguém é cheio de Deus, suas atitudes e procedimentos correspondem ao caráter e natureza de Deus. Ou seja, Se Deus é Santo, Se Deus é paz, se Deus é verdade, Se Deus é amor, se Deus é justo, logo quem é cheio de Deus (do Espírito Santo) tem atitudes e procedimentos de santidade, é pacifico, fala a verdade, pratica o amor, é justo, etc.

A evidências Bíblica de alguém ser cheio do Espírito Santo não é pelo número de glórias a Deus e Aleluias que alguém diz, não é também pelos pulos e línguas estranhas que ela fala, mas sim pelo seu procedimento e atitudes controladas e dirigidas pelo Espírito Santo. 

A igreja de Corinto era uma igreja que não obstante ter a manifestação dos dons espirituais, inclusive Paulo dedica 3 capítulos da sua carta para ensinar sobre prioridade e ordem no culto (I Cor 12,13 e 14), pois bem, essa mesma igreja é chamada de Carnal (I Cor 3.1-3). 

Já aos Gálatas Paulo orienta que carne e Espírito são opostos, veja, quem é dirigido, conduzido ou controlado pelo Espírito Santo não cobiça ou deseja ou vive debaixo do jugo da carne (Gl 5.16-22).

Aos Efésios, Paulo ensina após descrever uma relação de atitudes do homem cheio do Espírito (Ef 4. 24-32; 5.1-18), culmina com uma figura de contraponto dizendo: "E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito". Efésios 5:18.

Paulo, aos Gálatas, fala sobre o desejo excessivo e compulsivo da carne que domina o homem carnal; já aos Efésios, Paulo usa a figura da embriaguez para contrapor ao homem cheio do Espírito. O embriagado não tem controle das suas atitudes carnais, mas o espiritual é controlado e dirigido pelo Espirito Santo. 

Queridos amigos e irmãos ser cheio do Espírito Santo, segundo as Escrituras, é ser controlado e dirigido pelo Espírito de Deus, é ter atitudes e procedimentos condizentes com a natureza e caráter de Deus e por fim é produzir fruto do Espírito Santo, como amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança (Gálatas 5:22). Portanto, ser cheio do Espírito está mais relacionado ao fruto do Espírito do que manifestação de dons espirituais (que pode ser facilmente imitado por qualquer pessoa). 

É isso. Vamos ser cheios do Espírito Santo (Ef 5.18).

Sola Scriptura
Pr Pedro Pereira