quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O QUE É SER CHEIO DO ESPÍRITO SANTO?

Essa é uma pergunta que ao longo dos anos como pastor ouvi de muitos irmãos, amigos e alunos em seminários. O porquê desta pergunta talvez seja, além da curiosidade bíblica, o paradigma da cultura pentecostal.

Em muitos lugares, o entendimento de alguém ser cheio do Espírito, é o fato de falar em línguas estranhas, correr ou pular na igreja, rodopiar ou "cair no espírito", etc... Mas será mesmo isso sinal de alguém estar cheio do Espírito Santo? Minha resposta de imediato é NÃO. 

Ser cheio do Espírito Santo é ter uma vida controlada e dirigida pelo espírito de Deus. O Espírito Santo é a terceira pessoa da trindade, logo Ele é Deus. Então chegamos a seguinte conclusão, se alguém é cheio do Espírito Santo, logo é cheio de Deus. E se alguém é cheio de Deus, suas atitudes e procedimentos correspondem ao caráter e natureza de Deus. Ou seja, Se Deus é Santo, Se Deus é paz, se Deus é verdade, Se Deus é amor, se Deus é justo, logo quem é cheio de Deus (do Espírito Santo) tem atitudes e procedimentos de santidade, é pacifico, fala a verdade, pratica o amor, é justo, etc.

A evidências Bíblica de alguém ser cheio do Espírito Santo não é pelo número de glórias a Deus e Aleluias que alguém diz, não é também pelos pulos e línguas estranhas que ela fala, mas sim pelo seu procedimento e atitudes controladas e dirigidas pelo Espírito Santo. 

A igreja de Corinto era uma igreja que não obstante ter a manifestação dos dons espirituais, inclusive Paulo dedica 3 capítulos da sua carta para ensinar sobre prioridade e ordem no culto (I Cor 12,13 e 14), pois bem, essa mesma igreja é chamada de Carnal (I Cor 3.1-3). 

Já aos Gálatas Paulo orienta que carne e Espírito são opostos, veja, quem é dirigido, conduzido ou controlado pelo Espírito Santo não cobiça ou deseja ou vive debaixo do jugo da carne (Gl 5.16-22).

Aos Efésios, Paulo ensina após descrever uma relação de atitudes do homem cheio do Espírito (Ef 4. 24-32; 5.1-18), culmina com uma figura de contraponto dizendo: "E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito". Efésios 5:18.

Paulo, aos Gálatas, fala sobre o desejo excessivo e compulsivo da carne que domina o homem carnal; já aos Efésios, Paulo usa a figura da embriaguez para contrapor ao homem cheio do Espírito. O embriagado não tem controle das suas atitudes carnais, mas o espiritual é controlado e dirigido pelo Espirito Santo. 

Queridos amigos e irmãos ser cheio do Espírito Santo, segundo as Escrituras, é ser controlado e dirigido pelo Espírito de Deus, é ter atitudes e procedimentos condizentes com a natureza e caráter de Deus e por fim é produzir fruto do Espírito Santo, como amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança (Gálatas 5:22). Portanto, ser cheio do Espírito está mais relacionado ao fruto do Espírito do que manifestação de dons espirituais (que pode ser facilmente imitado por qualquer pessoa). 

É isso. Vamos ser cheios do Espírito Santo (Ef 5.18).

Sola Scriptura
Pr Pedro Pereira

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

O NATAL DE CRISTO É DE ORIGEM PAGÃ?

É impressionante o esforço de alguns "entendidos" em paganizar o Natal, alegando que o Natal é de origem pagã. Meus amigos, vocês sabiam que o bolo de aniversário é de origem pagã?

Vocês sabiam também que é de origem pagã: o vestido de noiva; o terno e a gravata; as construções históricas que visitamos; as ruas da cidade por onde andamos; a comemoração de aniversários; a aliança de casamento colocada na mão esquerda; etc. É só pesquisar, não vou ser mais específico por falta de espaço. 

Quase nada, neste mundo, tem origem cristã... Agora veja, quando você comemora seu aniversário significa que você é pagão? A aliança que você usa na mão esquerda significa que voce é pagão? É lógico que não.

Ligar o Natal ao paganismo é ignorar as profecias do nascimento de Cristo; é ignorar a importância da encarnação de Cristo. 

Reprovar e até proibir a celebração do Natal de Cristo por causa de Papai Noel, duendes, gnomos, decorações natalinas e outras coisas mundanas é característica de um pseudocristianismo desequilibrado (cf. Ec 7.16,17).

É o mesmo que dizer ao Judeu que o sacrifício de animais praticado no Antigo Testamento era pagão, porque os povos pagãos também sacrificavam animais. Dizer que o dízimo é pagão, porque os povos da antiguidade também praticavam o dizimo a seus deuses. Ou você não sabia que os povos antigos, que adoravam outros deuses também sacrificavam e dizimavam, antes mesmo da Lei e dos Hebreus?

A maioria dos argumentos que relacionam o Natal ao paganismo são de origem de pseudo cristãos, como os "TESTEMUNHAS DE JEOVÁ" que satanizam tudo, até a igreja para eles é do diabo.

Lamentavelmente, vemos esses argumentos defendidos e até escritos em literaturas teológicas evangélicas.

Lembrando que somente começou essa "febre" de satanizar o Natal, de 1990 para cá, com o crescimento do Neo pentecostalismo. Pois antes disso todos os Cristãos Evangélicos comemoravam o Natal de Cristo sem questionar.

Não é interessante que os pais da igreja, os reformadores da Igreja; e os grandes teólogos do passado, não terem deixaram nenhum registro condenando a comemoração do Natal?

Bom, minha resposta é NÃO. O Natal Cristão não é de origem pagã, pois independente da data, se Jesus nasceu em dezembro ou não, o natal cristão celebra a encarnação de Jesus. 

Devemos lembrar que o homem ignorou o nascimento do menino Jesus, mas os anjos desceram do céu e comemoraram o primeiro Natal Cristão, com louvores:

"E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo:Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura. E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo: Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens. E aconteceu que, ausentando-se deles os anjos para o céu, disseram os pastores uns aos outros: Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu, e que o Senhor nos fez saber. E foram apressadamente, e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura. E, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita; E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam". (Lc 2. 10-18).

Quero aqui deixar algumas sugestões (ou conselhos) aos "cristãos" inimigos do Natal de Cristo, dados pelo, escritor e teólogo, Pr Ciro Sanches Zibordi:

- Não se deixem influenciar pelo espírito do Anticristo (1 Jo 4.3);

- Observem que o Diabo deseja, a todo custo, fazer com que o nome de Jesus desapareça da face da terra;

- E uma de suas estratégias é apresentar “outro evangelho”, fanatizante, farisaico, legalista, que procura desviar os salvos da verdade, carregando-os de ordenanças, como: “não toques, não proves, não manuseies” (Cl 2.20-22);

- Em vez de apresentarem inúmeras razões para não celebrarmos o Natal de Cristo, falem da gloriosa encarnação do Verbo (1 Tm 3.16; Jo 1.14; Gl 4.4,5), da sua morte vicária (2 Co 5.17-21) e da sua maravilhosa ressurreição (1 Co 15.17-20). O Natal é uma data propícia para isso.

Feliz Natal!

Pr Pedro Pereira

DEUS SONHA?

Me parece que o novo "modismo gospel" vem disseminando através de cantores e pregadores da auto ajuda a expressão de que "Deus sonha"... "Deus sonha algo para você", "Os sonhos de Deus para você", etc. Será?

Sabemos que a bíblia usa muito do que chamamos de antropomorfismo, ou seja, quando se atribui a Deus características próprias dos humanos. Porém, sabemos também que Deus é Espírito, logo não tem uma composição corporal como a nossa, mas é descrito em algumas passagens, principalmente nos salmos, de uma forma que possamos entender, tomando como base nós mesmos (olhos, ouvidos abertos), Ex.: Sl 34.15.

Agora, esse antropomorfismo bíblico, no entanto, não fere a soberania, onipresença, onipotência, onisciência e nenhum outro atributo de Deus. Dai, então dizermos que "Deus sonha", estamos dizendo algo que não está presente nas Escrituras e que ainda vai de encontro ao que a Bíblia diz sobre Deus.

Se sonho significa fantasiar uma situação ou aspirar uma realidade futura, estamos ferindo a divindade e soberania de Deus. Deus é soberano por isso Ele tem planos para nós, Ele determina e as coisas acontecem, e nem sempre acontecem como queremos, mas como Ele quer e no tempo que Ele quer, pois Ele sabe, como Deus, o que é melhor para nós. Portanto, Deus não sonha, sonhar é uma característica meramente humana, mas tem planos ou propósitos para nós..

Para Deus todas as coisas são realidade antes mesmo de acontecerem.
Tudo está debaixo de Seu domínio! Porque simplesmente Ele é Deus.

Na verdade, Deus planeja, determina e faz acontecer, nem que preciso seja Ele criar situações ou criar coisas do nada, mas todas as coisas acontecem segundo o seu propósito. Ele é soberano e está no controle absoluto de todas as coisas. Vejamos alguns textos Bíblicos:

"Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade". Filipenses 2:13.

"Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?" Isaías 43:13.

"Tudo o que o Senhor quis, fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos". Salmos 135:6.

"Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido". Jó 42:2.

Dito isso, Dizer que Deus sonha é heresia e engano, é rebaixar o soberano criador a simples criatura.

Deus não sonha, Deus não tem sonhos para você e para mim... Deus tem planos e propósitos para nós. Sola Scriptura

Pr Pedro Pereira

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

UMA MULHER PODE SER PASTORA?

Uma mulher pode ser "Pastora"? Bom, a resposta bíblica é NÃO.

Sei que em muitos lugares ditos "evangélicos" encontramos mulheres exercendo a função pastoral, mas essas igrejas não tem o apoio bíblico e como hoje a moda é o pragmatismo religioso, então não importa, para eles, se seus atos são bíblicos ou não, pois o que importa é o que aparentemente dá certo, ou funciona, etc.


Veja alguns argumentos pragmáticos:

- tem mulher que prega melhor do que homem;

- isso é machismo, o apóstolo Paulo era machista;

- naquela época era proibido, mas agora os tempos mudaram e as mulheres exercem também cargos de liderança;
- onde tem mulheres na liderança os resultados são melhores do que onde tem só homens;
- Raquel era pastora e Débora era Juiza, etc...

Bom, creio que alguns dos argumentos acima tem até algum sentido no pensamento humano, mas a questão aqui é a seguinte: o Ministério Pastoral Feminino tem apoio nas Escrituras? 

Antes da análise bíblica quero ressaltar que o "ministério feminino" é bíblico, encontramos nas Escrituras muitas mulheres que ajudaram e cooperaram em muito no Reino de Deus. Jesus tinha auxiliadoras, mulheres piedosas que o ajudavam em seu ministério. Paulo também tinham mulheres de Deus que o ajudavam e cooperavam com a obra de Deus, facilitando seu Ministério.

Em todo o tempo a Igreja contou com mulheres piedosas e ajudadoras.  Mas, não confunda Ministério Feminino como Ministério PASTORAL. Não há base bíblica para o ministério pastoral feminino, então vejamos:

Em primeiro lugar, Jesus nunca separou apóstolas, mas apóstolos, mesmo tendo várias mulheres que o auxiliavam e o seguiam, em seu ministério terreno.

Em segundo lugar, Paulo, o grande apóstolo e doutor da igreja, nos ensina partindo dos seguintes pressupostos para o porquê Deus não permitir a ordenação pastoral feminina, vejamos:

"Não permito que a mulher ensine, nem que tenha autoridade sobre o homem. Esteja, porém, em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, e depois Eva. E Adão não foi enganado, mas sim a mulher, que, tendo sido enganada, tornou-se transgressora" (1 Timóteo 2:12-14).

Paulo deixa claro aqui que a mulher não pode ter autoridade, ou seja, exercer uma função de autoridade sobre o homem. Uma "pastora" subentende-se que tem que exercer função de autoridade sobre homens. Mas, diante da negativa, Paulo então justifica suas orientações baseado nos princípios divinos, descritos no texto, vejamos: 

- princípio da criação - "porque primeiro foi formado Adão e depois Eva".
Paulo evoca o princípio da criação, ou seja, o homem veio primeiro, então Deus deu a função de autoridade ao homem e não a mulher.
- princípio do pecado - "E Adão não foi enganado, mas sim a mulher, que, tendo sido enganada, tornou-se transgressora".
A mulher pecou primeiro e depois levou Adão a pecar também, então Deus decide que a mulher não tenha função de autoridade sobre o homem e/ou marido. 


Portanto, isso é questão de princípio divino e nunca por causa de "machismo" ou outra coisa qualquer, apenas principio divino. É Deus que quer assim.

Sabemos que a mulher não é menos capaz do que o homem, ou menos inteligente, etc; mas simplesmente por um princípio da vontade divina. Quem não atende essa vontade soberana de Deus está pecando.

Já em I Co 14, quando Paulo fala da ordem e decência no culto, ele orienta que a mulher não deve falar na igreja:
"As vossas mulheres estejam caladas nas igrejas; porque não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também ordena a lei. Se quiserem aprender alguma coisa, que perguntem a seus maridos em casa; pois é vergonhoso uma mulher falar na igreja". (1 Coríntios 14:34,35). Bom, baseado no contexto bíblico de I Tm 2. 12-14, e em outras passagens correlatas, esse falar seria em tom de ensinar (doutrinar), com autoridade maior, como se fosse o ancião, o líder, o pastor, etc. Então, por questão de ordem no culto, a mulher não pode ensinar como se fosse o ancião (pastor) da igreja.

As mulheres sempre tiveram espaço no culto, elas podem pregar, podem "ensinar", mas não como Ministro ordenado, e isso não as impedem de ajudarem no Reino de Deus, de Evangelizar, de Testemunhar sua fé; mas por questão de ordem no culto, nunca a função de ensinar, falar, como se fosse o pastor (pastora); função essa de autoridade espiritual, sobre a igreja de Cristo, e isso é por princípio divino, veja ainda: 
"Porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos" (Ef 5.23,24). 


Em Efésios 4.11, Paulo também orienta sobre os dons ministeriais e diz que Deus dá a igreja, veja isso, quem dá a Igreja é DEUS: APÓSTOLOS, e não apóstolas, EVANGELISTAS, PROFETAS, PASTORES, e não pastoras e DOUTORES e não doutoras.



Em terceiro lugar, Paulo orientando Timóteo, no tocante, a separação na igreja, para a função episcopal, ou seja, bispos ou pastores, disse:
"É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher" (1 Timóteo 3:2). Entendeu? Isso aponta para a separação de homens, veja as palavras, BISPO e não Bispa... MARIDO de uma mulher e não esposa de um homem.


Em quarto lugar, os apóstolos, os pais da igreja, os reformadores, e mais, em nenhum momento da história da igreja de Cristo, houve a separação de mulheres ao ministério pastoral, pois era de entendimento geral essa impossibilidade bíblica. Lembremos que essa "moda" surgiu com o advento das neo pentecostais, junto com suas heresias e distorções bíblicas, influenciados pelo movimento feminista (1970 para cá).

Em quinto lugar, mulheres como Débora e Raquel não podem ser usadas como exemplo de ministério pastoral, e por quê? Ora, Débora foi "profetiza" e isso não era função sacerdotal; Débora também foi "Juiza" que era uma função pública, politica e não sacerdotal, logo não era função religiosa, tipica pastoral.

Já Raquel, era pastora, literalmente, de profissão, ou seja, cuidava de ovelhas, animal mesmo, portanto nem de longe era uma função ministerial e espiritual.

Lembremos que os sacerdotes da Antiga Aliança eram todos homens, porque seguiam o mesmo princípio de autoridade espiritual exigido por Deus.

E por último, o fato de uma mulher pregar isso não lhe outorga o direito a função pastoral, ou seja, ela pode pregar, falar bem, ter muito conhecimento bíblico, mas a função pastoral, biblicamente falando, é função exclusiva para homens, chamados e vocacionados por Deus. 

Concluo, dizendo o mesmo que Paulo deixa escrito para a igreja de Corinto, quando a orienta sobre a ordem no verdadeiro culto a Deus:
"Acaso a palavra de Deus originou-se entre vocês? São vocês o único povo que ela alcançou? Se alguém pensa que é profeta ou espiritual, reconheça que o que lhes estou escrevendo é mandamento do Senhor. Se ignorar isso, ele mesmo será ignorado... Mas tudo deve ser feito com decência e ordem". (1 Coríntios 14:36-38,40). Obs.: Quando Paulo cita profetas, incluiu as mulheres também - I Co 11.5; At 21.9. É isso.

Que Deus em Cristo nos abençoe e nos ajude a sermos obediente a sua Palavra. 

Sola Scriptura

Pr Pedro Pereira

terça-feira, 24 de novembro de 2015

ESTAMOS DISTORCENDO O SENTIDO DE CULTO A DEUS?


É impressionante como distorcemos o sentido de culto. Tenho lido e visto publicações sobre convite ou divulgação de culto que infelizmente retratam nossa distorção sobre o que significa um culto a Deus. A palavra “culto” deriva do Latim "cultu" e significa adoração ou homenagem a Deus. Etimologicamente, o termo latino "cultu" envolve a raiz "colo, colere", que indica “honrar, cultivar”, etc. 

Os principais termos que descrevem o ato/atitude de “culto” são o Hebraico, החָשָׁ (shachah) e o Grego, προσκυνέω (proskuneo). Essas duas palavras e seus derivados correspondem a 80% do uso cúltico bíblico.

O primeiro vocábulo, "shachah", significa “inclinar-se, prostrar-se”, como, por exemplo: “E acontecerá que desde uma lua nova até a outra, e desde um sábado até o outro, virá toda a carne a adorar (lit. “prostar”) perante mim, diz o Senhor” (Is. 66:23). 

A segunda palavra, "proskuneo", indica originalmente “abaixar-se para beijar”, vindo a indicar “prostrar-se para adorar”, “reverenciar”, “homenagear”, etc. O exemplo clássico sai da boca de Jesus: “Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram [προσκυνοῦντας] o adorem [προσκυνεῖν] em espírito e em verdade” (Jo. 4:24).

Há ainda dois importantes termos que expressam ideias de culto. O primeiro é דבַעָ (abad), “servir”, “trabalhar”. Por exemplo, o Senhor diz a Moisés: “Certamente eu serei contigo; e isto te será por sinal de que eu te enviei: Quando houveres tirado do Egito o meu povo, servireis a Deus neste monte” (Êx 3:12). 

A segunda palavra é λατρεία (latreia), “servir”, como visto no diálogo de Cristo com o Diabo: “Então ordenou-lhe Jesus: Vai-te, Satanás; porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás [προσκυνήσεις], e só a ele servirás [λατρεύσεις]” (Mt 4:10). É interessante notar que um dos "locus classicus" de adoração e culto utiliza este termo para descrever a entrega do corpo a Deus como “culto racional” [λογικὴν λατρείαν] (Rm. 12:1).

Em suma, O que se pode concluir deste rápido estudo etimológico? “Cultuar” envolve tanto a ‘homenagem ou reverência’ a Deus, quanto o ‘serviço’ a sua Pessoa!

Culto então é homenagear a DEUS, serviço de adoração a DEUS, e ainda posso dizer que é um trabalho ou serviço prestado a DEUS. Veja Deus sempre é o alvo, o objetivo maior. posso dizer que um culto verdadeiro e aceito é o culto TEOCÊNTRICO.

O que dizer de frases como essas: "Venha receber a sua Benção"... "Culto da vitória"... Culto da restituição"... "Campanha dos sete mergulhos de Naamã"... "Culto do amigo"..., ou coisas similares. Frases como essas demonstram que há uma imensa distância entre o culto a Deus e o culto que muitos estão realizando, um culto antropocêntrico. Nesses cultos o centro sempre é o homem e suas necessidades.

O culto verdadeiro é um lugar de homenagem, ou ainda um lugar de serviço a Deus. Culto é lugar de serviço de agradecimento a Deus e exaltação da sua glória. Mas, o que vemos hoje são manifestações hedonistas, pragmáticas e antropocêntricas. 

É bem verdade que quando adoramos e reverenciamos a Deus em um culto, nosso Deus por sua bondade e misericórdia pode, conforme sua soberana vontade, nos abençoar, curar, ajudar, renovar, confortar, alimentar, libertar, etc. Mas, o princípio do culto é servir a Deus e não ser servido. Que Deus tenha misericórdia dessa nossa geração. Voltemos ao verdadeiro culto, ao verdadeiro Evangelho.

Soli Deo Glória.

Pr Pedro Pereira

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Ser Reformado nem sempre significa Calvinista

Ser Reformado nem sempre significa Calvinista


Com o ressurgimento da teologia reformada, observamos a continuidade dos conceitos desenvolvidos a partir do passado século. Se considera, assim, que ser calvinista é idêntico a ser reformado ou as posições defendidas pela dita teologia reformada. Este fato não é por acaso. Isto tem sido resultado de vários séculos de definições e redefinições do que significa ser calvinista e reformado. Levando a ter um significado limitador, em vez, de amplo do termo reformado, como seria entendido no início da Reforma Protestante.

Este artigo tem como alvo defender a teses de que ser reformado nem sempre é ser calvinista. Com o desejo de esclarecer minha posição, se faz necessário definir os termos para ter uma compreensão dos mesmos.

A palavra Calvinista surge a partir de Calvino, o principal autor associado as preposições apresentada pelo Calvinismo. Neste sentido, o conceito teológico Calvinismo tem um sentido restrito, limitado e estreito teologicamente as teses apresentadas por Calvino. Por este motivo, muita tinta tem sido usada para mostrar o que Calvino realmente acreditava para seguidamente defender que a posição defendida era igual e idêntica ao Reformador Francês. Além disso, se tem o entendimento em certos círculos que ser calvinista significa necessariamente uma aceitação total aos 5 pontos do Calvinismo e, ainda mais, a Confissão de Fé de Westminster (CFW) ou as versões Congregacional (1) ou Batista (2) surgidas a partir da CFW. 

O site Theopedia define Calvinismo assim, "Calvinismo é o sistema de teologia associado com o reformado João Calvino que enfatiza o governo de Deus sobre todas as coisas como refletido no seu entendimento da Escritura, Deus, humanidade, salvação, e a igreja. Em geral, Calvinismo geralmente se refere a doutrina dos Cinco Pontos do Calvinismo referente a salvação. Em um sentido amplo, o Calvinismo é associado com a teologia Reformada."

Por outro lado, temos o termo Reformado. Este tem um significado mais amplo e abrangente que o anterior, porque tem uma compreensão irenista em relação as outras igrejas surgidas da Reforma Protestante, aceitando a diversidade teológica deste movimento religioso. Isto se reflete com a diversidade de confissões e declarações de fé escritas durante a Reforma Protestante (3). Tal diversidade, nos ajuda a perceber que nunca deveríamos considerar reformado não sentido estreito em que se usa o termo Calvinista.

Em outras palavras, temos por um lado o Calvinismo com algumas características particulares, as quais nem sempre são compartilhadas por todos os Reformados, entre elas, podemos mencionar as seguintes, ainda não sendo uma lista exaustiva: o governo eclesiástico presbiteriano; a ordem de culto e estilo de adoração da igreja; a compressão sacramental; a posição escatológica amilenista; os dons espirituais; a dupla predestinação; e os 5 Pontos do Calvinismo. 

Por outro lado, temos os Reformados. Observamos divergência na forma de governo (congregacional, episcopal e presbiteriano (4)); o entendimento dos sacramentos (Batistas, por exemplo); nem todos aceitavam, ou aceitam, conceitos como a dupla predestinação ou a Expiação Limitada (5); encontramos várias posições escatológicas com maior ou menos aceitação (Amilenismo, Premilenismo histórico e Pósmilenismo); o próprio culto existe uma ampla diversidade e um crescente reconhecimento do Livro de Oração Comum, como o intento mais atinado de produzir uma liturgia reformada (6); a questão de Salmonologia, hinários, música contemporânea, entre outros; e, evidentemente, não podemos esquecer as mais divergentes posições existentes entre os reformadores ao respeito dos dons espirituais.

Se poderia afirmar, neste sentido, que todos os calvinistas são reformados, contudo nem todos os reformados são calvinistas stricto sensu. E permitiria superar alguns debates e controvérsias que terminam prejudicado o testemunho e expansão do Reino de Deus. Assim, considerou que ser reformado tem certo elemento de irenismo nele, enquanto ser calvinista tem uma posição mais polemista. 

A posição polemista causou conflitos desnecessários em questões secundárias, terminando em divisões e conflitos que levaram a guerra por causa da religião. Inglaterra é um caso emblemático deste fato, como o pecado tomou o melhor de uma geração de jovens apaixonados por Deus e levou abraçar ações injustificadas em nome de Deus, contra outros irmãos em Cristo. Infelizmente, ainda hoje, muitos autores e teólogos continuam alimentado os preconceitos e promovendo uma narrativa histórica distorcida para mostrar assim a pureza das ideias defendidas.

Se consideramos que todas as questões são essenciais e fundamentais para a salvação (7), não deveria surpreender que nossas obras não deem fruto, porque faltará compaixão, caridade e amor. E, sem eles, nos encontraremos sem a essencial própria da mensagem da Cruz, o amor de Deus pelo Seu Povo.

O Calvinismo se beneficiaria de abraçar o espírito reformado, e superar debates mais fundamentos em conceitos humanos desenvolvido a partir da razão e o racionalismo, e voltar a compreender que existem questões as quais nem sempre são definidas com tanta preeminência, como gostaríamos de pensar. 

Nem sei o número de debates que participe nos últimos anos, onde acusavam os batistas de não ser reformados pela questão do batismo e o sistema de governo eclesiástico. Paradoxalmente, o avivamento reformado tem sido causado grandemente por pastores de origem batista reformado (8). Isso sem contar as vezes que me obrigue a defender o Anglicanismo como historicamente reformado e protestante, ainda que hoje nem sempre seja assim (9).

E, verdadeiramente, em um sentido estrito do termo, o Anglicanismo nunca poderá ser considerado calvinista, contudo as igrejas anglicanas formam parte da grande tradição protestante, reformada e evangélica, sendo assim verdadeiramente e plenamente católicos.

O mesmo posso dizer dos irmãos presbiterianos, batistas, congregacionais, e tantos outros que são dificilmente definíveis, que são autenticamente reformados, mas nem sempre estritamente calvinistas.

Que Deus nos ajudei a ter uma visão ampla e abrangente onde possamos receber os irmãos, e não rejeitar por questões sem eterna importância. 



Bispo Josep M. Rossello é um cristão, marido, pai e bispo que pastoreia a Igreja Anglicana Re.Novo; dirige a Igreja Anglicana Reformada do Brasil, sendo o Comissário da Free Church of England para Brasil e América Latina; apoia NAMS, como Bispo Advogado para América Latina; fundou e preside a Escola Ryle; e trabalha como professor na FUNVIC-FAPI.

___________
(1) A Declaração de Savoy, 1658.

(2) A Confissão de Fé Batista de L

ondres, 1689.

(3) Algumas destas confissões se encontram no seguinte artigo da Wikipedia:https://en.wikipedia.org/wiki/Reformed_confessions_of_faith

(4) O governo presbiteriano na Genebra inclusive difere daquele que surgiria na Escócia e, posteriormente, entre as igrejas presbiterianas nos USA e, a partir desse modelo, ao resto do mundo. 

(5) Expiação Limitada causou tal número de controvérsias entre os reformadores, que levou o uso de um linguagem ambígua neste ponto foi deixado no esboço final dos Cânones de Dort (1618–1619) com o desejo de permitir que entre aqueles delgados que rejeitavam o conceito de Expiação Limitada assinassem o documento final. Na Assembleia de Westminster (1643–1649), tinha entre os seus delegados aqueles que rejeitavam o conceito de Expiação Limitada. Alguns deles eram conhecidos como Amyraldismo, contudo nem todos poderiam ser considerados parte desta posição teológica. Para maior compreensão deste debate na Assembleia de Westminster, recomendou a leitura do artigo, “Shades of opinion within a Generic Calvinism,” pelo Rev Dr Lee Gastiss.https://leegatiss.files.wordpress.com/2009/10/lee-gatiss-rtr-articles-on-particular-redemption-at-westminster.pdf
Além deles, encontramos entre importantes líderes destacáveis dos Puritanos e dos não-conformistas, como John Bunyan, que escreviam e pregavam em contra a mesma.

(6) Recomendo a leitura dos seguintes artigos que reflete sobre a importância do Livro de Oração Comum, como uma verdadeira liturgia reformada:
• “Why Should Presbyterians Read the Book of Common Prayer?” pelo Rev John Ross | https://johnstuartross.wordpress.com/why-should-presbyterians-read-the-book-of-common-prayer/ 
• “Thoams who?” por Zac Hicks | http://www.reformedworship.org/blog/thomas-who 

(7) O Presidente e Fundador de Credo House Ministries, C Michael Patton, escreveu um artigo onde aborda o tema das doutrinas essenciais e as que não são. Tal artigo poderá ajudar ao leitor a considerar esta questão. Acessa aqui:http://www.reclaimingthemind.org/blog/2009/12/essentials-and-non-essentials-how-to-choose-you-battles-carefully-chart-included/

(8) John Piper, John McArthur, Paul Washer, Franklin Ferreira, a turma da Editora Fiel, e tantos outros teólogos.

(9) O fato curioso, como bispo anglicano e reformado, foi ler a resposta dos presbiterianos diante do surgimento do movimento de Oxford (anglo-católicos), em vez de rejeitar como uma falsa expressão do Anglicanismo, convidavam os Anglicanos a sair do Anglicanismo, porque esta não era reformada, nem protestante, apontando os anglo-católicos como exemplo do que era realmente ser anglicano. E, deste modo, os próprios presbiterianos terminaram promovendo o movimento anglo-católico no Anglicanismo.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Jesus salvou 116 almas?

Tenho observado em algumas postagens de concentrações evangelísticas que após as fotos postadas de pessoas trazidas até próximas aos palanques, elas são chamadas de "salvas". Outro dia li uma dessas postagens que dizia: Jesus salvou 116 almas. 

A pergunta é: como podemos alegar que Jesus salvou 116 almas? Será que depois de um apelo emocionante e o levantar de algumas mãos, que se aproximam do "púlpito", de pessoas emocionadas pelo momento, nos dá o direito de dizer que elas estão salvas? 

Qual é o momento da salvação? O levantar das mãos ou quando nascem de novo (Jo 3.3,5)? Ora, se não podemos conhecer os corações então só nos resta esperar os frutos de arrependimento para só depois supor se alguém está salvo ou não.

Me parece que a doutrina da regeneração que é um ato divino está sendo esquecida... Lembre-se os frutos do verdadeiro arrependimento é o sinal de que somos salvos (Jo 15.16)... Pois, arrependidos dos pecados somos perdoados e regenerados, regenerados somos justificados e santificados; portanto, salvos pela graça de Deus. Um simples levantar de mãos após um apelo emocionante, acompanhado de um fundo musical bonito, não é sinal de salvação; sem dizer daqueles que vem a frente constrangidos pela insistência de alguém. 

Certamente, os "apenas" emocionados ou os constrangidos, após o culto voltarão as suas vidas de pecado e miséria. Mas, os arrependidos são alvo da graça salvadora de Jesus. Jesus mesmo disse pelo fruto conhecereis a árvore (Mt 7.16-20). E depois disse ainda que nem todos que dizem Senhor, Senhor entrarão no Reino de Deus (Mt 7. 21). Que Deus tenha misericórdia de nós. 

Sola Gratia.

Pr Pedro Pereira