sábado, 24 de novembro de 2012

Credo Atanasiano


O Credo de Atanásio, com quarenta artigos, é um tanto longo para um credo, mas é considerado: "um majestoso e único monumento da fé imutável de toda a igreja quanto aos grandes mistérios da divindade, da Trindade de pessoas em um só Deus e da dualidade de naturezas de um único Cristo." (2)



O Credo descreve:

  • Todo aquele que quiser ser salvo, é necessário acima de tudo, que sustente a fé universal.
  • A qual, a menos que cada um preserve perfeita e inviolável, certamente perecerá para sempre.
  • Mas a fé universal é esta, que adoremos um único Deus em Trindade, e a Trindade em unidade.
  • Não confundindo as pessoas, nem dividindo a substância.
  • Porque a pessoa do Pai é uma, a do Filho é outra, e a do Espírito Santo outra.
  • Mas no Pai, no Filho e no Espírito Santo há uma mesma divindade, igual em glória e co-eterna majestade.
  • O que o Pai é, o mesmo é o Filho, e o Espírito Santo.
  • O Pai é não criado, o Filho é não criado, o Espírito Santo é não criado.
  • O Pai é ilimitado, o Filho é ilimitado, o Espírito Santo é ilimitado.
  • O Pai é eterno, o Filho é eterno, o Espírito Santo é eterno.
  • Contudo, não há três eternos, mas um eterno.
  • Portanto não há três (seres) não criados, nem três ilimitados, mas um não criado e um ilimitado.
  • Do mesmo modo, o Pai é onipotente, o Filho é onipotente, o Espírito Santo é onipotente.
  • Contudo, não há três onipotentes, mas um só onipotente.
  • Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus.
  • Contudo, não há três Deuses, mas um só Deus.
  • Portanto o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, e o Espírito Santo é Senhor.
  • Contudo, não há três Senhores, mas um só Senhor.
  • Porque, assim como compelidos pela verdade cristã a confessar cada pessoa separadamente como Deus e Senhor; assim também somos proibidos pela religião universal de dizer que há três Deuses ou Senhores.
  • O Pai não foi feito de ninguém, nem criado, nem gerado.
  • O Filho procede do Pai somente, nem feito, nem criado, mas gerado.
  • O Espírito Santo procede do Pai e do Filho, não feito, nem criado, nem gerado, mas procedente.
  • Portanto, há um só Pai, não três Pais, um Filho, não três Filhos, um Espírito Santo, não três Espíritos Santos.
  • E nessa Trindade nenhum é primeiro ou último, nenhum é maior ou menor.
  • Mas todas as três pessoas co-eternas são co-iguais entre si; de modo que em tudo o que foi dito acima, tanto a unidade em trindade, como a trindade em unidade deve ser cultuada.
  • Logo, todo aquele que quiser ser salvo deve pensar desse modo com relação à Trindade.
  • Mas também é necessário para a salvação eterna, que se creia fielmente na encarnação do nosso Senhor Jesus Cristo.
  • É, portanto, fé verdadeira, que creiamos e confessemos que nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é tanto Deus como homem.
  • Ele é Deus eternamente gerado da substância do Pai; homem nascido no tempo da substância da sua mãe.
  • Perfeito Deus, perfeito homem, subsistindo de uma alma racional e carne humana.
  • Igual ao Pai com relação à sua divindade, menor do que o Pai com relação à sua humanidade.
  • O qual, embora seja Deus e homem, não é dois, mas um só Cristo.
  • Mas um, não pela conversão da sua divindade em carne, mas por sua divindade haver assumido sua humanidade.
  • Um, não, de modo algum, pela confusão de substância, mas pela unidade de pessoa.
  • Pois assim como uma alma racional e carne constituem um só homem, assim Deus e homem constituem um só Cristo.
  • O qual sofreu por nossa salvação, desceu ao Hades, ressuscitou dos mortos ao terceiro dia.
  • Ascendeu ao céu, sentou à direita de Deus Pai onipotente, de onde virá para julgar os vivos e os mortos.
  • Em cuja vinda, todos os homens ressuscitarão com seus corpos, e prestarão conta de suas obras.
  • E aqueles que houverem feito o bem irão para a vida eterna; aqueles que houverem feito o mal, para o fogo eterno.
  • Esta é a fé Universal, a qual a não ser que um homem creia firmemente nela, não pode ser salvo. (3)


1 Extraído de Paulo Anglada, Sola Scriptura: A Doutrina Reformada das Escrituras (São Paulo: Editora Os Puritanos, 1998), 180-82.
2 A. A. Hodge, The Confession of Faith (Edinburgh & Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1992), 7.
3 Traduzido a partir do inglês de A. A. Hodge, Outlines of Theology (Edinburgh, & Pennsylvania: The Banner of Truth Trust, 1991), 117-118.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Reforma: uma necessidade constante.

A Reforma não foi um desvio do cristianismo primitivo, mas uma volta a ele. 
A igreja havia se desviado das veredas da verdade e a Reforma foi um movimento para colocar a igreja de volta nesses trilhos. 

Um dos lemas da Reforma era: “Igreja Reformada, sempre reformando”. O que isso significa? Não significa certamente que a igreja precisa ir se amoldando à cultura prevalecente de cada época e sim que a igreja precisa voltar-se continuamente às Escrituras para não se conformar com a cultura prevalecente de cada época. Não é a cultura que julga as Escrituras, mas as Escrituras que julgam a cultura. O primeiro pilar da Reforma foi “Só as Escrituras”. 

Muitas igrejas herdeiras da Reforma, seduzidas pelo encanto das filosofias engendradas pelo enganoso coração humano, afastaram-se daquelas verdades essenciais da fé cristã e capitularam-se às novidades heterodoxas. Queremos, aqui, apontar alguns desses desvios: 

1. A doutrina sem vida. 

A Reforma trouxe não apenas uma volta à Palavra, mas, também, uma volta à piedade. Uma das exigências dos puritanos era: doutrina pura e vida pura. Não podemos separar a doutrina da vida, a teologia da prática, a ortodoxia da piedade. A vida piedosa é conseqüência da sã doutrina. Uma igreja trôpega na Palavra jamais estará na vanguarda da luta pelo restabelecimento dos valores morais absolutos. 

2. A vida sem doutrina. 

Se a doutrina sem vida deságua em racionalismo estéril, a vida sem doutrina desemboca em misticismo histérico. Esse foi o equívoco do Pietismo alemão do século dezoito, que cansado da doutrina sem vida, foi para o outro extremo e pleiteiam vida sem doutrina e acabou caindo num experiencialismo heterodoxo. Há muitos indivíduos que, em nome da fé evangélica, deixam de lado as Escrituras e buscam uma espiritualidade edificada sobre o frágil fundamento das emoções. Buscam experiência e não a verdade. Buscam uma luz interior e não a luz que emana da verdade de Deus. Correm atrás de gurus espirituais, guias cegos, que arrastam consigo, para o abismo do engano, seus incautos seguidores. 

3. O liberalismo teológico. 

O liberalismo teológico nasceu do ventre do racionalismo iluminista. O homem, cheio de empáfia, decidiu que só poderia aceitar como verdade o que a razão humana pudesse explicar. O resultado imediato foi a negação das grandes doutrinas do cristianismo como a criação, a redenção e a ressurreição. A Bíblia foi retalhada, mutilada e torcida. Os seminários que outrora formaram teólogos de renome e missionários comprometidos com a evangelização dos povos foram tomados de assalto por esses liberais e muitos pastores formados nesses seminários despejaram esse veneno mortífero dos púlpitos nas igrejas e o rebanho de Deus, desorientado e faminto do pão da Vida, foi disperso. Há milhares de igrejas mortas pelo mundo afora, vitimadas pelo liberalismo teológico. Precisamos entender que a verdade de Deus é inegociável. A igreja que abandona a sã doutrina morre. 

4. O sincretismo religioso. 

O Brasil é um canteiro fértil onde floresce o sincretismo religioso. Mais e mais igrejas aderem a essa prática para atrair pessoas. Templos lotados e multidões sem conta se acotovelam em grandes concentrações públicas para buscar um milagre, uma cura ou uma experiência que lhes mitigue a angústia, que só o evangelho de Cristo pode oferecer. Precisamos de uma nova Reforma que traga de volta a igreja para a Palavra. Precisamos de seminários que não se dobrem à sedução dos liberais nem se entreguem ao pragmatismo ávido por resultados. 

Precisamos de pastores que amem a Cristo e sejam fiéis às Santas Escrituras para alimentar o rebanho de Deus com o trigo da verdade em vez de empanturrá-lo com a palha do sincretismo religioso. Precisamos de uma igreja bíblica, viva, santa, cheia do Espírito, alegre, vibrante e operosa. Uma igreja herdeira da Reforma e continuadora da Reforma!


Pr Pedro Pereira

domingo, 30 de setembro de 2012

PROCURA-SE UMA "BOA IGREJA"



Tornou-se comum nos círculos pastorais se falar em uma “boa igreja”. Mas, o que tal expressão envolve? Qual o conceito de uma “boa igreja” em alguns círculos evangélicos na atualidade?

Ouvindo e analisando o discurso sobre uma “boa igreja”, cheguei a conclusão de que para se enquadrar nesse perfil, é necessário que uma igreja local ou congregação preencha os seguintes requisitos:

- Ter um bom número de membros e congregados ativos;

- Esse bom número de membros e congregados ativos devem proporcionar uma boa oferta, capaz de promover o crescimento institucional desta igreja, e de proporcionar tranquilidade e segurança financeira ao seu pastor;

- O templo onde os cultos são realizados deve estar situado num lugar de boa visibilidade, bom acesso e bom estacionamento;

- Uma boa arquitetura exterior e interior, associada a um bom conforto são indispensáveis;

- A vida comunitária deve ser de boas relações, onde os conflitos internos são os mínimos possíveis;

- A “boa igreja” não precisa exercer influência na vida espiritual e moral dos moradores do bairro ou da cidade onde está inserida, desde que exerça uma forte influência política e social entre os mesmos;

- A “boa igreja” é caracterizada pela presença de membros e visitantes ilustres da classe média alta, dos ricos e de personalidades notáveis de grande destaque social.

Como se percebe, a ideia contemporânea sobre uma “boa igreja” em nada se alinha com aquilo que as Escrituras dizem acerca da Igreja de Jesus. A visão acima apresentada, de caráter mercadológico e empresarial, acaba promovendo competição entre aqueles que anseiam um dia pastorear uma “boa igreja”, ou frustração na vida daqueles que são removidos de uma “boa igreja”.

Uma igreja local “boa” é aquela que está inserida no contexto maior da Igreja Universal, edificada por Jesus (Mt 16.18), único e inabalável fundamento (1 Co 3.11).

Uma igreja local “boa” possui tal qualidade pelo fato de ser criação de um Deus essencialmente e plenamente bom (Ef 3.6-9).

Uma igreja local “boa” é aquela que manifesta a multiforme sabedoria de Deus entre principados e potestades nos lugares celestiais (Ef 3.10).

Uma igreja local “boa” trabalha na evangelização e na prática do discipulado entre os povos (Mc 16.15; Mt 28.19-20), na perseverança na doutrina, na oração, na comunhão, na adoração (At 2.42-47) e no socorro aos necessitados (At 4.32-35).

Uma igreja local "boa" é rica em Cristo, em toda palavra e conhecimento (1 Co 1.5).

Uma igreja local "boa" é plena dos dons do Espírito (1 Co 1.7).

Uma igreja local “boa” é caracterizada por ser coluna e baluarte da verdade (1 Tm 3.15).

Uma igreja local “boa” não está isenta de problemas espirituais, morais, sociais, doutrinários ou de outra ordem, mas está sendo aperfeiçoada através do trabalho dos apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres que compreenderam a natureza do ministério cristão, e que se dispuseram a pagar o preço do sofrimento em todas as suas múltiplas faces e formas (At 9.16; 2 Co 1.4; 12.15).

Não importa o tamanho da igreja local, sua renda, sua influência social, sua localização geográfica, sua arquitetura ou qualquer outro fator. Se tivermos a convicção de que foi o Senhor quem nos chamou para cuidar de sua Igreja, nos alegraremos na graça de Jesus, sabendo que esta é a “boa igreja”, o rebanho que está entre nós, e que nos foi confiado pelo Supremo Pastor (1 Pe 5.1-4). 

* Extraído do Blog do Pr Altair Germano

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

AS DORES DO ABANDONO



O termo “abandono” deriva-se do hebraico ‘azabh e do gregoenkataleypo, deixar, retirar, deixar de mão, deixar para trás em algum lugar.
O abandono é uma realidade da qual nenhum filho de Deus está isento de vivenciar.


O Abandono dos Amigos
Procura vir ter comigo depressa. Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica; Crescente, para a Galácia, Tito, para a Dalmácia. Só Lucas está comigo. Toma Marcos e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério. Também enviei Tíquico a Éfeso. Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos. (2 Tm 4.9-13)
São várias as causas que provocam o abandono entre os amigos. Dentre algumas podemos citar:
- Quando somos objetos de perseguição ou rejeição por nossa postura contrária aos padrões que não se conformam com a Palavra. O medo de comprometimento, do sofrimento, da retaliação e de coisas semelhantes faz com que eles queiram distancia, e até fazem de conta que não nos conhecem.
- Quando perdemos prestígio ao sermos destituídos de cargos e honrarias. Os falsos amigos nos valorizam apenas por aquelas posições de honra que alcançamos. Há casos onde ao contrário, são os amigos que melhoram de vida e alcançam prestígio que abandonam os demais.
- Quando passamos por crises financeiras. Os falsos amigos nos valorizam por quanto temos. Atentam apenas para a possibilidade de desfrutar do dinheiro que ganhamos, do que ele pode proporcionar.
- Quando ficamos enfermos e doentes. Não são poucos os casos de amigos que nos abandonam quando adoecemos, quando temos que passar por períodos de tratamento e internamento hospitalar.
- Quando caímos em pecado, mesmo arrependidos e reconciliados. Os falsos amigos não são misericordiosos e se acham acima de qualquer possibilidade de tropeço. Se acham pessoas de primeira classe espiritual, imunes ao pecado. Na realidade não passam de hipócritas, que com o pecado alheio tentam desviar o foco de suas próprias concupiscências e pecados secretos.
O exemplo de Paulo nos ensina que as possibilidades acima existem também nas relações ministeriais, entre obreiros e líderes.
O pedido de Paulo reflete sua plena humanidade. Ele pede que Timóteo venha depressa, o que aponta para a sua necessidade de conforto, amizade verdadeira e companheirismo, principalmente em momentos de extrema adversidade, onde ficamos emocionalmente instáveis.
Quando abandonados, não devemos desesperar da vida. Em meio ao desamparo, podemos desfrutar de momentos com Deus, de crescimento através da leitura e dos estudos, e de profícua produção literária. As adversidades podem ser transformadas em oportunidades.

O Abandono da Família
A família pode nos abandonar pelos mesmos motivos que os amigos. A Bíblia é clara quando trata da responsabilidade mútua nas relações familiares:
- Quem não governa bem (cuida, administra, etc.) a sua casa, não serve para ser obreiro e líder na igreja (1 Tm 3.4-5).
- As viúvas devem ser amparadas e cuidadas pelos seus familiares (filhos ou netos), pois isso agrada ao Senhor (1 Tm 5.4).
- Quem não cuida dos seus, principalmente dos familiares, negou a fé e é pior que o infiel (1 Tm 5.8).
Na vida em família, os principais casos de abandono acontecem com os idosos. No momento em que precisam mais de amparo são largados em asilos, ou isolados em fundos de quintais. Precisamos tratar os velhos como gostaríamos de ser tratados na velhice.
Os pais devem amparar os filhos.
Os cônjuges devem cuidar um do outro.
Vivemos em família e em sociedade para promover o amparo ao próximo (Lc 10.25-37).

Deus não nos Desampara ou Abandona
O amparo divino é um tema bastante recorrente nas Escrituras:
- A misericórdia de Deus faz com que ele não desempare seus filhos, quando estes se voltam para Ele em oração, e deixam os seus pecados (Dt 4.30-31). Sua bondade e sua misericórdia em torno das alianças que em graça faz com os seus filhos, o leva a poupá-los da destruição.
- A fidelidade de Deus garante o seu amparo àqueles por Ele comissionados para fazer a sua obra (Js 1.5). Ao comissionar Josué, o sucessor de Moisés, a presença constante do Senhor seria a garantia de suas vitórias e conquistas.
- Quem conhece a Deus sabe que Ele nunca desampara os que o buscam (Sl 9.10). Conhecer a Deus implica em desfrutar de um relacionamento de amizade e intimidade com Ele.
- Quando pai e mãe nos desamparam, o Senhor nos recolhe em sua proteção (Sl 27.10)
- O reto juízo de Deus o leva a não desamparar os seus santos. Estes são preservados para sempre (Sl 37.28).
- O apóstolo Paulo tinha convicção do amparo divino diante das adversidades da vida (2 Co 4.8-9).

O Sentimento de Abandono
Apesar de termos a certeza de que Deus não nos desampara, o sentimento de desamparo ou abandono pode se apoderar de nós.
Davi, que escreveu sobre o amparo divino, teve os seus momentos de crise:
[Salmo de Davi para o cantor-mor, sobre Aijelete-Hás-Saar] Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que te alongas das palavras do meu bramido e não me auxilias? (Sl 22.1)
Observarei os teus estatutos; não me desampares totalmente. (Sl 119.8)
Mas os meus olhos te contemplam, ó Deus, SENHOR; em ti confio; não desampares a minha alma. (Sl 41.8)
Os textos acima, longe de afirmarem a possibilidade de Deus desamparar, ou de amparar seus filhos parcialmente, são apenas demonstrações dos temores humanos.
Jesus, citando o salmo messiânico de Davi, também verbalizou o seu sentimento de desamparo, quando na cruz morria por causa dos nossos pecados:
E, perto da hora nona, exclamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lemá sabactâni, isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mt 27.46)
Podemos nos sentir desamparados ou abandonados pelo Pai celestial, mas é apenas sentimento. O seu silêncio e a sua aparente falta de ação não são sinais de descaso ou de abandono. Nem sempre percebemos, mas podemos ter a certeza, e isso com base em sua Palavra, de que Ele trabalha para aquele que nele espera (Is 64.4).
Não vivemos por aquilo que sentimos, mas por aquilo que o Pai diz. Sua palavra é a verdade (Jo 17.17). Creia que você está debaixo do seu amparo e dos seus cuidados!

*extraído do blog do Pr Altair Germano

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A LIDERANÇA EVANGÉLICA BRASILEIRA E A AREIA MOVEDIÇA DA POLÍTICA SECULAR


O envolvimento direto de pastores e outros líderes com a política secular, atividade no Brasil marcada pela corrupção, pela trapaça, pela traição e outros males, é como cair em areia movediça, ou seja, quanto mais ativismo, mais se afunda, e quando se consegue sair, geralmente sai sujo, manchado e marcado.

Dessa maneira, na grande maioria dos casos, o melhor a fazer é não se envolver, nem envolver a igreja, que na maioria das vezes é contra tal envolvimento, mas não é ouvida, nem considerada.

A política secular na igreja divide pastores, líderes e membros, promovendo facções, porfias, inimizades e partidarismo.

A política secular não apenas divide, mas une também. As uniões são as mais bizarras possíveis, ao ponto de inimigos políticos se aliarem. As ideologias caem por terra, os valores são pisados, as contradições são escandalosas.

Só quem de fato não quer ver, é que não perceber isso.

Sinceramente, não consigo acreditar no que contemplo a cada pleito, e na repetição cada vez mais grave dos mesmos erros.

Nobres pastores e amigos, em nome de Jesus, façam o que o Senhor da Igreja vos chamou a fazer. Cuidem do rebanho, e não se envolvam com aquilo que não edifica.

Cuidado com a areia movediça da política secular.

A igreja está olhando para nós!

*extraído do Blog do Pr Altair Germano

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

REFLEXÃO SOBRE A IGREJA LOCAL



Igreja, lugar de comunhão, lugar de adoração, lugar de exercício do amor, lugar de aproximar-se de Deus, lugar de pessoas santificadas, em fim lugar de pessoas que querem ser parecidas com Cristo...isso é cristianismo. Maravilha!!! 

Porém, para nossa tristeza o que vemos nesses últimos dias é algumas igrejas locais cada vez mais distante do verdadeiro cristianismo. 

Não digo isso de forma generalizada, mas basta uma simples análise somos obrigados a perceber que no convívio entre os ditos "crentes" da igreja local aumenta-se o número de pessoas que feridas, machucadas, tristes, desiludidas, frustradas e até depressivas, pois um dia entraram em uma comunidade cristã e em vez de encontrarem refúgio, amor, encontraram fofocas, mentiras, invejas, ciúmes, traições, adultérios, roubos, enganos, distorções doutrinárias por interesse próprio e muito mais para nosso espanto. Meu Deus!!!!

Bom, as Escrituras já nos alertavam sobre isso quando o Apóstolo Paulo escreveu a Timóteo: "Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos, porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te..." (II Tm 3. 1-5).

Jesus, o nosso grande Mestre, já havia nos alertado quando nos ensinou acerca da parábola do trigo e do joio (Mt 13. 24-30) e o que nos chama a atenção é que o joio parece ser idêntico ao trigo, em outras palavras o joio anda conosco, nos saúda, nos elogia, come conosco, canta em nossos conjuntos, assume até cargos eclesiásticos, ensina em nossas escolas dominicais, ou seja, parece verdadeiro cristão, mas na verdade não é, não passa de joio, uma erva daninha. 

Nosso consolo é saber que Jesus é o Senhor da Igreja e conhece aqueles que são trigos e os que são joios e no tempo certo vai arrancá-los e lançá-los no fogo. 

Precisamos estar atentos, pois nesses últimos dias estamos vivenciando a liderança de alguns homens corrompidos, que usam as pessoas e amam as coisas, tratam a igreja como negócio e as gerenciam apenas como uma empresa, se esquecem que a liderança de uma igreja verdadeira e genuína não consiste apenas em uma boa gerência, mas de relacionamentos entre pessoas, regada com uma liderança espiritual sob a direção de Deus; resumindo, hoje temos muito gestores, mas poucos pastores. 

Precisamos ficar atentos pois estamos vivenciando uma igreja composta de pessoas carnais que não tem interesse em aprenderem a palavra de Deus, vivendo um cristianismo raso, verdadeiro período da Igreja de Laodicéia, ou seja, igreja de mornos. 

Quero terminar dizendo que ainda existe igrejas locais sérias, com lideranças sérias, vivendo o verdadeiro cristianismo, onde o fruto do espírito (Gl 5.22) é buscado em oração e pratica em detrimento aos frutos da carne (Gl 5.19-21). Que Deus nos abençõe e para os crentes "trigos" (verdadeiros) eu digo tenhamos paciência e olhemos para Jesus (Hb 12.2), orando como o Apóstolo Paulo "MARANATA!". Sola Gratia. 

Pr Pedro Pereira 

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

O texto de Malaquias 3.10 deve servir de base para a prática do dízimo na igreja?


Entendo que não. Segue abaixo, de forma bastante objetiva as devidas razões:


1. O livro do profeta Malaquias foi escrito especificamente para o povo de Israel.

Sua mensagem profética tem a sua razão e o seu lugar próprio no tempo, e no espaço

"Sentença pronunciada pelo Senhor contra Israel, por intermédio de Malaquias." (Ml 1.1)

"Assentar-se-á como derretedor e purificador de prata; purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e como prata; eles trarão ao Senhor justas ofertas. Então, a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao SENHOR, como nos dias antigos e como nos primeiros anos." (Ml 3.3)

"Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos." (Ml 3.6)

Afirmar que as profecias e as orientações específicas de Malaquias se aplicam "literalmente" à Igreja, é uma atitude que implica na quebra de princípios básicos, sérios e confiáveis que norteiam uma interpretação gramático-histórica da Bíblia;

"[...] os princípios do sistema gramático-histórico de interpretação, que surgiram em antioquia pela primeira vez como princípios pensados e conscientes, representam o modelo de interpretação que mais bem corresponde aos pressupostos do Cristianismo histórico quanto à natureza das Escrituras" (Nicodemus, 2004, p. 256)

Bentho (2003, p. 69-71) diz que a função da hermenêutica e exegese bíblica, dentre outras, é compreender o sentido do texto dentro de seu ambiente histórico-cultural e léxico-sintático. Qualquer interpretação que tenta forçar o texto a dizer o que não diz, seja de forma voluntária ou involuntária, com base em pressupostos ou premissas previamente estabelecidos pelo intérprete, que ignora o contexto sob pretexto ideológico, que ignora a mensagem e o propósito principal do livro e que não analisa o texto à luz de outros, não deve ser confiável.

2. A mensagem de Malaquias está fundamentada na necessidade de se observar o cumprimento da Lei do Senhor, prescrita para o povo de Israel

"Lembrai-vos da Lei de Moisés, meu servo, a qual lhe prescrevi em Horebe para todo o Israel, a saber, Estatutos e juízos." (Ml 4.4)

Não vivemos sob a Lei de Moisés:

"Porque eu, mediante a própria lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo". (Gl 2.19)

"Ora, a lei não procede de fé, mas: Aquele que observar seus preceitos por eles viverá" (Gl 3.12)

"Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Permanecei, pois, firmes e não vos submetais, de novo, a jugo de escravidão" (Gl 5.1)

3. Os que se utilizam de Ml 3.10, acabam por incorrer na “alegorese”, ou seja, no abuso de uma interpretação fundamentada na escola alegórica.

"Quem alegoriza fala ou escreve sobre alguma coisa por intermédio de outra, procurando desvendar sentidos simbólicos, espirituais ou ocultos. [...] De acordo com o método alegórico, o sentido literal e histórico das Escrituras é completamente desprezado, e cada palavra e acontecimento são transformados em alegoria de algum tipo, a fim de escapar de dificuldades teológicas ou para sustentar certas crenças estranhas e alheias ao texto bíblico. Assim, não interpreta o texto bíblico, mas perverte o verdadeiro sentido deles, embora sob o pretexto de buscar um sentido mais profundo ou mais espiritual" (Idem, 2003, p. 124)

O uso claro de alegorese em Ml 3.10, é afirmar que a "casa do tesouro" e a "minha casa", citadas no texto se aplicam aos templos cristãos. É equivocado também declarar, que as maldições ali citadas, virão também sobre os crentes. Vale lembrar as palavras de Paulo em Atos 17.24 "O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas."

Muitos se utilizam do texto de Ml 3.7-11, tirando-o do seu contexto, para colocar a "faca no pescoço dos simples", amedrontando-os com maldições ou acusando-os de ladrões, no que diz respeito a prática do dízimo. Volto a declarar que a Bíblia não deve ser interpretada segundo as nossas conveniências.

Compreendo ainda pela Palavra, que na Igreja, o dízimo não deve ter a sua prática incentivada a partir de Malaquias, mas sim, a partir de Abraão (Gn 14.18-20) e Jacó (28.18-22) que contribuíram voluntariamente, livres de qualquer preceito legal, sem medo de qualquer punição ou castigo, sendo unicamente movidos por pura adoração em reconhecimento àquele que provê todas as coisas.

As bases motivadoras e punitivas que norteiam as contribuições financeiras na Igreja, estão prescritas em 2 Co 9.6-15

"E isto afirmo: aquele que semeia pouco pouco também ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria. Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá semente ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e multiplicará os frutos da vossa justiça, enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade, a qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus. Porque o serviço desta assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus, visto como, na prova desta ministração, glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão quanto ao evangelho de Cristo e pela liberalidade com que contribuís para eles e para todos, enquanto oram eles a vosso favor, com grande afeto, em virtude da superabundante graça de Deus que há em vós. Graças a Deus pelo seu dom inefável!"

Dizimar e contribuir com outras ofertas, não pode ser encarado por cristãos como um fardo ou jugo da lei. Deve sim, ser percebido como um privilégio e como um ato livre e amoroso que reconhece em Deus o sustentador, provedor e criador de todas as coisas.


* extraído do blog do Pr Altair Germano