terça-feira, 29 de junho de 2021


 O JEJUM NO TEMPO DA GRAÇA

“E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente”. Mt 6.16-18

“Então, chegaram ao pé dele os discípulos de João, dizendo: Por que jejuamos nós e os fariseus muitas vezes, e os teus discípulos não jejuam? E disse-lhes Jesus: Podem porventura andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão”. Mt 9 14,15

Esses dois textos e alguns outros nos trazem princípios Neotestamentário sobre o Jejum.

Etimologicamente, jejum é a "privação ou redução de alimentos ou refeições durante o dia ou outro período de tempo por penitência".

Já o Jejum Bíblico é uma abstinência voluntária de alimentos por um período definido e propósito específico. Ele pode ser total ou parcial.

O Jejum ritualístico era aquele praticado pelo povo judeu com caráter obrigatório e mecânico, como por exemplo, no dia da expiação onde todo o povo jejuava por força da Lei. Jesus condenou esse tipo de jejum sem propósito definido e obrigatório que era de forma genérica praticado pelo povo judeu no antigo Testamento.

Jesus, porém, ensina seus discípulos, como súditos do Reino de Deus, os princípios que norteiam o Jejum Cristão, vejamos:

 Primeiro princípio que norteia o jejum cristão

“Então, chegaram ao pé dele os discípulos de João, dizendo: Por que jejuamos nós e os fariseus muitas vezes, e os teus discípulos não jejuam? E disse-lhes Jesus: Podem porventura andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão”. Mt 9.14,15

Neste texto Jesus é indagado do porquê que seus discípulos não jejuavam, pois alegavam que os fariseus e os discípulos de João Batista jejuavam. Jesus então os ensina:

“...Podem porventura andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles?” Jesus era o esposo, Jesus estava com eles, portanto era momento de alegria e não de tristeza. Jejum remete dias de luto, tristeza, contrição, etc. Jesus é o pão que desce do céu, é o salvador, o ajudador, a comunhão entre ele e seus discípulos era estreita, logo Jejuar não tinha lógica. E prossegue dizendo: “... Dias, porém, virão em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão”.

Aqui está o primeiro princípio que norteia o Jejum. O Jejum é uma causa de exceção, deve ser praticado em dias de necessidade.

Necessidade de mais comunhão, em dias difíceis, em dias de muitas provações, com a intenção chamar a atenção de Deus em nosso favor. Jesus havia alertado seus discípulos que depois da sua partida eles seriam perseguidos e viveriam dias de muitas aflições (Mt 24.9; 10.18,22; Jo 16.33).

 Segundo princípio que norteia o jejum cristão

“E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão...” Mt 6.16

Neste texto Jesus orienta que o Jejum deve ser praticado com naturalidade, não deve ser praticado com intuito de ser visto pelos homens. Os Fariseus costumavam jejuar publicamente e para serem vistos pelos homens se descabelavam, ficavam caídos nas calçadas, tinham expressão de sofrimento em seus rostos. Com isso chamavam a atenção das pessoas, que passavam a comentarem o quanto eles eram “santos” e “espirituais”; e isso massageava o ego dos fariseus, dando-lhes um status de homens santos e espirituais. Jesus, porém, disse: “Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão”. Agindo assim não receberiam nada de Deus, pois seus propósitos eram apenas serem aclamados pelos homens.

O jejum deve ser praticado com discrição e a intenção deve ser espiritual, veja:

“...Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente”. Mt 6.17,18

Portanto, o segundo princípio que norteia o jejum cristão é que o jejum deve ser praticado com discrição, em secreto, e com propósitos espirituais e não por aparência, e não para se mostrar mais santo do que outros.

 Terceiro princípio que norteia o jejum bíblico

“E, quando jejuardes...”; “...Tu, porém, quando jejuares...”.

Veja que a expressão “quando” denota que nós os cristãos precisaremos em algum momento na nossa vida jejuar, mas não por imposição da Lei e sim por voluntariedade. O Jejum não pode ser ritualístico, de forma mecânica, mas por consciência voluntaria, sabendo que chegou o momento em que preciso jejuar, com um propósito especifico e espiritual.

O terceiro princípio, portanto nos mostra que o jejum cristão “quando” praticado deve ser de forma voluntária e não por imposição legal, como algo obrigatório ou ritualístico.

Paulo, orientando sobre o casamento, nos mostra a necessidade do jejum ser voluntario e consensual entre o casal, ou seja, se um dos cônjuges quiser se privar por um período de tempo, de relações sexuais, por motivo de estar jejuando, isso deve ser feito com a aprovação mútua:

“Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois ajuntai-vos outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência”. I Co 7.5

Isso só reforça a ideia de que o jejum é um ato voluntário e não ritualístico obrigatório ou legalista.

 Quarto princípio que norteia o jejum cristão

“Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum”. Mt 17.21

Jesus orienta seus discípulos que o jejum é um grande reforço para a oração. Existem situações que a oração deve ser acompanhada pelo jejum, como reforço.

Não devemos entender aqui que o jejum é uma poção mágica, um ritual poderoso para expulsar demônios. A regra básica e neotestamentária para se expulsar demônios é a oração, com a autoridade do nome de Jesus (Mc 16.17). Porém, naquele dia os discípulos oraram e o demônio não fora expulso, mas ao chegar Jesus o pai do menino reclama que seus discípulos haviam falhado, Jesus então expulsa aquele demônio, agora envergonhados seus discípulos o interrogam do motivo de não terem conseguido expulsar aquele demônio, foi então que Jesus os orienta que há castas de demônios que exigem de nós oração com reforço, ou seja, com jejum.

Para entendermos melhor sobre isso precisamos compreender que o jejum, traz muitos benefícios espirituais, ou seja, ao praticar o jejum, como reforço da oração, estamos nos privando de alimentos que é o nosso prazer, isso fala de renúncia. Outras virtudes é o desenvolvimento da paciência, do equilíbrio no espírito, a contrição, a meditação, o crescimento espiritual, a dependência de Deus mais acentuada, etc. Tudo isso aponta para uma vida mais espiritual e santificada, com a ajuda do Espírito Santo.

Nesse sentido Jesus ensina seus discípulos que com uma vida mais consagrada, a oração é mais eficaz, não pela oração ou o jejum em si, mas por que Deus se agrada de nós ao procurarmos ter uma vida mais próxima Dele.

Portanto, o quarto princípio é que o jejum cristão é um grande reforço da oração. Lembre-se, o jejum, em si, não expulsa demônio, quem expulsa demônio é a autoridade do nome de Jesus, mas uma vida mais consagrada nos aproxima de Deus e nos dá autoridade para usar esse nome poderoso de Jesus.

 Quinto princípio que norteia o jejum cristão

O jejum cristão não deve ser visto como algo meritório, recurso de barganha ou troca. Deus não é obrigado a atender alguém pelo simples fato de que esse alguém jejuou.

O princípio maior que norteia toda a Escritura é o da Soberania de Deus. Ele faz o que quer, da forma que quer, e quando quer, dentro do seu propósito divino.

A exemplo disso temos o episódio em que Davi jejuou por sete dias para que seu filho não morresse, mas seu filho morreu. Então Davi reconhecendo a soberana vontade de Deus encerra o jejum e vai adorar a Deus (II Sm 12. 16-23). Essa passagem está no Antigo Testamento, mas é válida ainda hoje como princípio divino.

Tudo que Deus faz a nosso favor é pela sua graça infinita. O jejum como antes disse é apenas um reforço da oração e não produto de troca ou barganha com Deus.

Portanto, o quinto princípio é que o jejum não é produto para troca ou barganha com Deus, mas sim um aliado da oração, pois em primeiro lugar o que se deve levar em conta é a soberana vontade de Deus.

Nossa oração acompanhada ou não do jejum deve ser regida por uma disposição ensinada por Cristo:

"...todavia não se faça a minha vontade, mas a tua". Lc 22.42

 Conclusão

Concluo, dizendo que a pratica do jejum deve ser realizada nos nossos dias, norteada não pela Lei, mas pelos princípios ensinados por Cristo, ou seja, com propósitos espirituais, com discrição, por voluntariedade, como reforço da oração e nunca como objeto de barganha.

 

Pr Pedro Pereira, Me em Teologia

domingo, 5 de abril de 2020

Princípio de Dores

"Vocês ouvirão falar de guerras e rumores de guerras, mas não tenham medo. É necessário que tais coisas aconteçam, mas ainda não é o fim.  Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes, e PESTES, e terremotos, em vários lugares.  Mas todas estas coisas são o princípio de dores" (Mt 24.6-8).

Jesus deixa claro, nesse texto, quando prevê os acontecimentos que seriam os sinais antes da sua segunda vinda, que quando essas coisas acontecessem ainda não seria o fim, mas o princípio de Dores.

Princípio de dores, essa expressão, biblicamente falando, aponta o momento que precederia os dias terríveis de dores, o que chamamos em escatologia de o período sombrio da grande tribulação. Veja a expressão "princípio de dores", não são as dores ainda.

Dentre muitos sinais está a peste, a palavra peste significa mal contagioso, logo o conceito do "corona vírus" se encaixa perfeitamente na denominação peste.

Isso nos mostra amigos que se aproxima a volta de Cristo nosso Senhor, o que nos dá um alerta pra estarmos firmes na nossa esperança de que Ele nos levará para a nossa cidade que está no céu (Fp 3.20,21).

Portanto, não há motivo de Pânico. Veja a expressão de Jesus "... Mas não tenham medo..." (V6). 

Primeiro, que isso não é o fim, como disse Jesus. Segundo, esse sinal mostra que Jesus está vindo nos buscar (Jo 14. 1-3). Terceiro, mesmo sendo um período de princípio de dores, Ele prometeu estar conosco todos os dias e nos ajudar (Mt 28.20; Jo 16.33).

Que esses dias sirvam de reflexão e de aproximação maior entre nós e nosso Redentor. 

Para encerrar quero deixar o conselho de Pedro, o apóstolo de como passar pelos dias maus:
"Portanto, humilhem-se debaixo da poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido. Lancem sobre ele toda a sua ansiedade, porque ele tem cuidado de vocês. Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o inimigo de vocês, anda ao redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar. Resistam-lhe, permanecendo firmes na fé, sabendo que os irmãos que vocês têm em todo o mundo estão passando pelos mesmos sofrimentos. O Deus de toda a graça, que os chamou para a sua glória eterna em Cristo Jesus, depois de terem sofrido por pouco tempo, os restaurará, os confirmará, os fortalecerá e os porá sobre firmes alicerces" (1Pd 5.6-10).

Que Deus nos ajude. Maranata!

Pr Pedro Pereira

terça-feira, 6 de agosto de 2019


"A religião que Deus, o nosso Pai aceita como pura e imaculada é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas em suas dificuldades e não se deixar corromper pelo mundo" Tiago 1:27



Então isso quer dizer que, aquilo que é aceitável a Deus, ou aquilo que Deus aceita como legitimo, segundo Tiago, o irmão de Jesus, é cuidar dos órfãos e das viúvas (pobres e necessitados) em suas dificuldades? Interessante, Tiago, nos orienta de que quem não tem essa atitude como prioridade não pode ser considerado um seguidor de Cristo, ou em alguém que deseja agradar a Deus.


Após isso, Tiago nos dá a segunda coisa que agrada a Deus, que é não se corromper pelo mundo, logo, a santificação ou a separação daquilo que desagrada a Deus, leva-nos a ser aceitos pelo Pai.

Portanto, a caridade e a santificação são elementos fundamentais para agradarmos a Deus. Dai eu pergunto: Porque estamos tão ocupados em congressos, festas, construções, teatros, danças, ensaios intermináveis, etc?? Tão ocupados que em muitos lugares não há tempo para a caridade e a santificação. A prioridade não é fazer caridade e a santificação.

Responda sinceramente, a igreja local tem se empenhado em ajudar os necessitados? Tem se empenhado em santificar-se?

Com a Palavra o Salvador Jesus: "Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram. Então os justos lhe responderão: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou necessitado de roupas e te vestimos? Quando te vimos enfermo ou preso e fomos te visitar? O Rei responderá: ‘Digo-lhes a verdade: o que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram". Mateus 25:34-40.

Que Deus nos ilumine e nos ajude a voltarmos ao evangelho puro e simples.

Pr Pedro Pereira

quarta-feira, 10 de abril de 2019

ORAR

Orar...

Orar, não é gritar, não é pagar preço, não é repetir palavras, não é mantra, não é poder de convencimento através de uma boa oratória.

Orar, simplesmente, é conversar com Deus, é uma confidência. A oração pode ser feita até por uma lágrima, um pensamento, um gemido, um olhar...

A oração é um momento a sós com Deus, é a intimidade com o pai, é a submissão de servo, é o renovo para o espirito.

Paulo disse que, ela deve ser feita sem cessar, onde você estiver, por onde você andar, pois em qualquer lugar você pode orar.

Jesus, nosso salvador, disse que quem ora não deve desfalecer e ainda se for em secreto, a oração é melhor.

A oração não é sinal de medida da espiritualidade, os fariseus hipócritas também oravam, para serem vistos pelo povo, mas a oração piedosa é sinal de dependência de Deus. É Isso.

Pr Pedro Pereira

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Transferência de unção? O que é isso?

Após assistir um pregador famoso, num congresso famoso pentecostal, usando um lençol por cima de pregadores novos e alegando estar fazendo uma transferência de unção daquele pregador para eles, fiquei perplexo. Onde erramos? Quando nos desviamos do evangelho simples e genuíno? 

Jesus nunca ensinou isso, nunca li em Atos, onde conta a história da igreja do primeiro século, os apóstolos ensinando ou fazendo tal absurdo. 



Orar impondo as mãos para cura das enfermidades, para expulsar demônios, para receber o dom do Espírito Santo, nada tem a ver com essa tal "transferência de unção", pois são coisas distintas. Na primeira situação fica nítido que quem opera é o Espírito de Deus, através da graça e em nome de Cristo; já nessa segunda situação, percebemos uma transferência do que está no tal ungido, como se a fonte do poder fosse do ungido e não de Deus, como se o controle disso estivesse nele, dando a quem ele quer, quando o tal ungido quiser, sem dizer que, a centralidade de Deus se perde e dá lugar ao homem, como o centro desse poder (Is 42.8).

Citar passagens do V.T. também não corrobora em nada, pois uma analise sincera dos textos revelam que essa doutrina é fruto de uma má interpretação.

No exemplo de Nm 11, que fala da passagem de Moises e os setenta anciãos, é preciso atentar para alguns detalhes, pois uma leitura superficial nos leva a uma interpretação errônea, veja esse texto “Então o Senhor desceu na nuvem, e lhe falou; e, tirando do espírito, que estava sobre ele, o pôs sobre aqueles setenta anciãos; e aconteceu que, quando o espírito repousou sobre eles, profetizaram; mas depois nunca mais” (Num 11.25).

Na passagem em apreço o escritor usa uma figura de linguagem para dizer em outras palavras que Deus deu o mesmo Espírito Santo que estava operando em Moises para os Setenta, a fim de exercerem a mesma obra de Moises, pois sabemos que quem opera é Deus e não Moises, se continuarmos lendo o texto perceberemos que os anciãos profetizaram, pois foram cheios do Espírito Santo e não do espírito de Moisés.

É bom deixar claro que essa decisão partiu de Deus e não de Moises (Nm 11.17)

Fica tudo mais claro quando lemos o versículo 29, veja: “Porém, Moisés lhe disse: Tens tu ciúmes por mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta, e que o Senhor pusesse o seu espírito sobre ele!” (V29). Entenderam? O Espírito era de Deus, Deus é quem dá a quem quer e quando quer para um propósito especifico (I Co 12.7,11). 

Já na passagem de II Rs 2, que fala sobre Elias e Eliseu, Eliseu pede, para Elias, a poção dobrada do Espírito do teu espirito, e o próprio Elias diz a ele que o que ele pediu era muito difícil, haja vista Elias saber que não era dele o poder, mas do Espírito de Deus. Elias então profetiza a Eliseu dizendo que se ele o visse sendo tomado ao céu isso se cumpriria, entendendo que Eliseu queria ter o Espirito de Deus e fazer dobrado o que Elias fez.

Eliseu, então foi perseverante e acompanhou Elias em tudo, quando de repente ele foi levado ao céu na presença de Eliseu, por isso a profecia se cumpriu e Eliseu foi dobradamente cheio do Espírito de Deus. Isso nada tem a ver com “transferência de unção”. É bom ressaltar que a escolha de Eliseu, para substituir Elias partiu de Deus e não de Elias.

Uma das regras da hermenêutica bíblica (a arte ou ciência de interpretar textos bíblicos) é que quando o texto em foco está obscuro é necessário recorrer ao contexto e aos textos paralelos. Uma doutrina bíblica tem de estar em acordo com toda a Escritura, pois a Escritura explica a própria Escritura.

Entendo isso, observe atentamente a primeira carta de João, no capitulo 2, onde o apóstolo nos esclarece o seguinte: “Mas vocês têm uma unção que procede do Santo, e todos vocês têm conhecimento” (1 João 2:20 - NVI). Entenderam? A unção vem de Deus e não do homem. (grifo nosso).

E para ficar mais claro, veja o verso 27: “Quanto a vocês, a unção que receberam dele permanece em vocês, e não precisam que alguém os ensine; mas, como a unção dele recebida, que é verdadeira e não falsa, os ensina acerca de todas as coisas, permaneçam nele como ele os ensinou” (1 João 2:27 - NVI). Atentaram a expressão? Veja: “...a unção que receberam dele permanece em vocês...”. Logo, a unção é de Deus, é Ele quem nos dá, e mais PERMANECE em nós. 

Portanto, não existe a tal de “transferência de unção”, biblicamente falando, como os falsos pregadores estão ensinando, pois a Unção é de Deus, Ele dá a quem quer, para um propósito Dele, e é intransferível. 

Lembre-se, quando Deus quiser dar a sua unção a alguém, Ele o faz diretamente. É isso.

Voltemos ao Evangelho simples e genuíno.

Sola Scriptura 
Pr Pedro Pereira

sábado, 5 de maio de 2018

"Eu sou a videira; vocês são os ramos. Se alguém permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma" João 15:5.

Jesus, nosso Deus e Senhor, nos deixa claro que nossa dependência Dele é total e absoluta ao dizer: "... pois sem mim vocês não podem fazer coisa alguma".

A relação entre a videira e seus ramos ou galhos representam perfeitamente essa relação. O galho fora da arvore secará e morrerá, assim também acontece conosco, fora da comunhão de Cristo nosso destino é morrer e secar, espiritualmente.

As intempéries não matam os galhos, observe as chuvas, o frio, o calor, os ventos, eles não podem matar o galho enquanto ele estiver na árvore, assim também somos nós, enquanto estivermos em Cristo. Ligados Nele poderemos frutificar muito na estação própria.

Lutas virão, problemas também, e com eles as aflições, tribulações, perseguições, decepções, e toda sorte de males para tentar nos destruir, espiritualmente, mas em Cristo, com Cristo e por Cristo seremos vencedores. Há vida em Cristo. Mantenha a sua comunhão com Cristo, teu salvador, pois só assim seremos perfeitamente salvos e ajudados.

Quando Cristo diz "permanecer", Ele está querendo dizer para nos mantermos em comunhão com Ele, em outras palavras, ore, busque o Reino de Deus, peça forças ao Pai e continue lutando, com o auxilio do Espirito Santo, se santifique, se purifique, estude as Escrituras e faça a vontade do Pai. É isso.

Que Deus em Cristo nos abençoe. Somos totalmente dependentes de Cristo.

Solus Christus
Pr Pedro Pereira

Palavras matam

"Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno" Mateus 5:22


Nesse texto Jesus repete um preceito eterno que fala sobre o assassinato (vers 21). Ao ensinar que não devemos cometer assassinato, o termo foi traduzido erroneamente por "não mataras", mas os estudiosos sabem que no original o sentido exato é "não cometeras assassinato". Isso fala do assassinato ao inocente, pois para o culpado era previsto por Deus a pena capital (Gn 9.6, Lv 24.21, Dt 13. 6,8-11)

Jesus, então, vai além e mostra que na ótica divina o assassinato não é só aquele que literalmente tira a vida, do inocente, mas aquele que também por palavras matam pessoas inocentes.

Jesus detalha esse principio e expõe que quem se ira, sem motivo, contra um inocente e o chama de "raca" ou ainda o chama de louco, será réu de juízo e do inferno.

A expressão "Raca" é um palavra grega, extraída de um termo semita que significa "alguém de cabeça vazia", ou um idiota, um imprestável, isso no sentido de desprezar, de inferiorizar, um inocente. No mesmo sentido o termo louco ou insensato, inútil, também no sentido de humilhar, desprezar ou ferir um inocente.

Jesus estava ensinando que palavras ditas com raiva e que tem por intenção destruir, menosprezar, humilhar ou envergonhar um inocente, pode mata-lo espiritualmente, e dependendo da situação induzi-lo a tirar a própria vida de tanta tristeza. Palavras assim podem roer por anos uma vida, matando aos poucos e tirando a alegria de viver de alguém, inocente, podem também destruir famílias inteiras, causar estragos irreparáveis em famílias, nas igrejas. Os que praticam isso, Jesus chama de assassino, consequentemente se tornam réu de juízo e castigo no inferno.

Queridos, devemos usar as palavras para abençoar, para ajudar, para estimular, para levantar, para trazer vida. Se isso não for possível, se cale, mas não seja um assassino.

Com a palavra o sábio Salomão: "A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira. A língua dos sábios torna atraente o conhecimento, mas a boca dos tolos derrama insensatez... O falar amável é árvore de vida, mas o falar enganoso esmaga o espírito". Provérbios 15:1,2,4.

Que Deus nos abençoe.

Sola Gratia
Pr Pedro Pereira